Arábia Saudita recruta hackers para acabar com a pornografia na internet

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A safardanagem é algo que faz parte da natureza humana desde sempre. 30 mil anos atrás já estávamos esculpindo pirombas em pedra. Milênios antes de aprender a escrever o Homem (ok, a Mulher. Sei lá, cada um com seu cada um) usava sua inteligência e habilidade para criar brinquedos sexuais.

Algumas das mais sofisticadas pelas de arte romanas envolviam sacanagem, até mesmo do tipo que não ousa dizer seu nome. Mesmo assim tentamos manter as aparências, apagando históricos de navegador e dizendo em público que safadeza é feio e Deus não gosta, apenas para de noite, na cumplicidade do escuro dar vazão aos instintos mais animalescos.

Bin Laden, que denunciava tanto a decadência ocidental, tinha sacanagem em seu computador. Aliás, essa é uma regra sem exceção: quanto mais conservador e repressor o discurso, mais chances do sujeito ter fetiches com ovelhas vestidas de colegiais, ou algo do gênero.

Dos 10 países que mais pesquisam sacanagem no Google 7 são islâmicos. Nos EUA os Estados conservadores lideram as mesmas estatísticas.

O Paquistão é campeão, número um do mundo em pesquisas como “Pig Sex” e “Donkey Sex”. Árabe é a segunda língua que mais busca por “gay sex” (fonte).

Isso não agrada a teocracia saudita, onde sexo extramarital não existe (oficialmente), mulheres não podem sequer dirigir, ou interagir com homens que não sejam da própria família. Álcool e material pornográfico são violentamente reprimidos, distribuir Pr0n, algo tão simples quanto passar um link, desde 2009 é punido com 5 anos de cadeia e/ou multa de US$ 800 mil.

O problema é que com a imensa demanda por sacanagem em uma sociedade onde sexo é reprimido, VAI surgir a oferta, é inevitável. No caso, nas redes sociais.

Em 2013 o governo saudita bloqueou mais de 400 mil sites, mas ainda há Twitter, Facebook e similares. Para isso estão contratando hackers whitehat para resolver o problema, invadindo e anulando perfis que distribuam sacanagem online.

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Com mais de 9.000 contas assim só no Twitter, é natural que os mais idiotas, tipo os que deixam geolocalização ligada, sejam identificados. Tem dado certo. Muitas contas foram tiradas do ar, outros tantos usuários identificados e presos. A Polícia Religiosa Saudita se orgulha de ter desbaratado várias festas com jogos, prostitutas e bebidas. Uau, estou impressionado.

Do outro lado, as contas apagadas são rapidamente substituídas por novas. Tentar evitar que as pessoas usem a internet para fins pornoeróticos é quase como enxugar gelo.

BenderStrippers

Talvez os sauditas devessem prestar atenção no mundo que não vive no Século XVI. Nos EUA, nos Estados onde a maconha foi legalizada o consumo da erva entre os jovens tem CAÍDO. Proibido é mais gostoso, repressão gera curiosidade.

A regra é clara: não importa o tamanho do risco ou da hipocrisia envolvidos. É Jurassic Fuck: a sacanagem sempre acha um caminho.

Fonte: IBT.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

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