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Quando nem o Campo de Distorção da Realidade funciona, o futuro é incerto para smartrelógios

Dizem as más-línguas que fãs da Apple compram qualquer porcaria com uma maçã estampada. Não é verdade, mas não quer dizer que a marca não seja um incentivo para o sujeito olhar com carinho o produto. Por isso mesmo é preocupante uma fração ínfima de donos de iPhones demonstrar real interesse no Apple Watch. Será algo específico ou o próprio conceito de relógio inteligente é falho?

5 anos atrás

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Ninguém defende mais a excelência da Apple do que seus Haters. Segundo eles a empresa nunca teve um fracasso. Todo produto é comprado bovinamente pelos “fãs”, por pior que seja. Alguns chegam ao ponto de dizer que a Apple compra os próprios produtos nas lojas para inflar vendas. Eu sei, haters não entendem muito de Economia.

Na realidade qualquer usuário da Apple, mesmo o mais satisfeito pode listar vários fracassos, do Cube ao Mac Abajour, o mouse odorizador de privada, o Newton, metade dos iPod Shuffles, aquele Nano que ninguém lembra e a câmera digital que parecia uma lagosta. 

Em alguns casos o usuário da Apple é MAIS difícil de agradar. Não que o Campo de Distorção da Realidade não exista. Nos primórdios do iPhone ele tinha uma reentrância no buraco do fone de ouvido e só funcionava com fones da Apple. Uma ENORME sacanagem. Quando lançaram um modelo novo alardearam como uma IMENSA vantagem, aceitar qualquer fone com plugue P2. Vários macfags aplaudiram.

É normal o entusiasmo no lançamento dos produtos, os geradores do Campo de Distorção estão no máximo. Por isso é preocupante a situação do iWatch.

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Robert Langdon aprova.

O bicho é bonito, cheio de recursos e tenho certeza de que funciona muito bem, como tudo que a Apple lança e não é para Windows, mas… como só 2,2% dos usuários de iPhones estão extremamente decididos a comprar um iWatch?

Entre os extremamente e os muito decididos, o número raspa 5,4% dos usuários.

Quando o iPad saiu esse valor foi de uns 278% pelo menos. As pessoas compravam o iPad sem saber para quê ele servia, outros viam utilidades que nem a Apple imaginava. A própria transformação da plataforma de consumo para geração de conteúdo surpreendeu a empresa.

Todo mundo esperou anos a Apple lançar seu smartrelógio, acabaram desistindo, lançaram antes e nem dá pra dizer que erraram muito. Pessoalmente acho o Xbox Moto 360 bem mais bonito que o iWatch.

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Só que não há uma killer app. As pessoas usam relógios hoje em dia por dois motivos: idade avançada ou status. Por isso iWatch Apple Watch dourado e outras bobagens. A única função do relógio, dizer as horas, foi substituída pelo celular, equipamento indispensável para os smartrelógios, aliás.

Simplesmente não é confortável consumir mídia num relógio, notificações de zap zap facebook twitter tornar-se-ão um inferno a menos que você seja mais antissocial do que eu na internet: o relógio se torna só um ponto de parada antes de você inevitavelmente pegar o celular, depois que descobrir que não faz sentido ler um e-mail em uma tela do tamanho de uma moeda.

90% do mercado de smartrelógios é no segmento high-end, pouca gente está disposta a pagar US$ 250,00 num Moto 360 só pra ver qual é.

As projeções de venda para relógios inteligentes em 2014 eram na casa de 15 milhões. Por algum milagre da natureza pretendem que em 2020 esse número chegue a 135,3 milhões de unidades. Não vai acontecer, a menos que eles se tornem bem mais inteligentes.

Não é questão de preço, 1/3 dos gadgets “vestíveis” nos EUA em 6 meses vão pra gaveta. Passada a novidade ninguém quer mais o brinquedo. Os relógios precisam esquecer que são relógios, precisam parar de se ver como mordomos de iPhones e assumir o controle.

A killer app dos relógios ainda não foi inventada, mas com certeza não é fazer de forma pior o que o smartphone já faz. A indústria precisa parar de ouvir os consumidores, e deixar seus grupos de produto trabalharem em paz. Nas palavras apócrifas de Henry Ford, “se eu perguntasse o que as pessoas queriam, a resposta seria cavalos mais rápidos”.

Os SmartRelógios hoje são algo entre um cavalo rápido e um elefante branco. Nem a Apple que é boa nisso decifrou esse enigma. Olhe aí a oportunidade de fazer uns bilhõezinhos fora do Brasil

Fonte: QZ.

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