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Finlândia quer trocar aulas de caligrafia por digitação

Em uma decisão que vai deixar muita pedagoga de cabelo em pé, a Finlândia resolveu abolir de seu currículo escolar a obrigatoriedade de ensinar escrita cursiva. Isso mesmo, a molecada vai aprender a escrever com caneta em letra de forma, digitar em teclados e escrever com tablets.

5 anos atrás

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É fato notório que pedagogas não estão entre minhas 786 profissionais preferidas. Parte disso é pela paulofreirização do ensino, criando gerações de peões sem ambição, mas parte também vem do fato de eu ter passado vários anos sem recreio.

Alguma professora reclamou, e para mostrar serviço fui parar na mão das pedagogas do colégio, e não no sentido professora americana loura abusadora da coisa. Elas cismaram que minha caligrafia horrorosa precisava ser consertada. Passei ANOS fazendo inúteis exercícios de caligrafia, elas consultavam seus manuais, desesperadas, e só não pediram uma MRI porque não havia sido inventada. 

Eu explicava que aquilo era inútil, que no futuro todos iríamos escrever em computadores, escrita manual era inútil. Elas insistiram, até o dia em que me rebelei e parei de ir às “consultas”. Hoje, digitando em um computador e lendo a notícia sobre o experimento finlandês, só posso dizer: CHUPA!

A decisão foi ousada, é talvez o primeiro experimento do mundo nessa área. Começando em 2016 professores finlandeses não serão mais obrigados a ensinar escrita cursiva.

Não é que as crianças não vão mais aprender a escrever com lápis e papel, vão usar letra de forma, o que facilita a vida de todo mundo que tiver que entender o que elas escrevem. Também serão incluídas no currículo aulas de digitação, em teclados e em tablets.

Sei que muita gente está se contorcendo com isso mas pense bem: quem com menos de 15 anos escreve à mão hoje em dia? Qual a vantagem que isso traz? “Ah mas numa ilha deserta você vai precisar” filho, numa ilha deserta minha maior preocupação seria descobrir se estou na Megan Fox Island ou na Mike Tyson Island, deixe diarinho pro Robinson Crusoé.

Escrever de forma cursiva é algo que pode parecer natural, correto, imprescindível, mas é apenas uma das formas válidas. Não é você, nem eu nem as pedagogas do meu colégio que vão dizer a 18 bilhões de chineses, japoneses e coreanos que eles estão escrevendo errado.

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Escrever em tablets? Que idéiazinha mais modernosa. Não quer que venha com capinha também?

É normal, estamos condicionados a achar um absurdo não ensinar escrita cursiva, mas se voltarmos 100 anos e dissermos a um mestre-escola que no futuro ninguém mais vai ensinar às crianças como usar um mata-borrão e uma caneta-tinteiro, ele achará um absurdo também.

“Cortana, please take a note: ‘Write about how hard is to be a youngster in the 21st Century’.”

Pronto, resolvido. Acabou a necessidade de bloquinho de anotações e caneta.

No meu colégio as professoras não aceitavam trabalhos datilografados, diziam que assim não saberiam se foi o aluno mesmo que fez o trabalho. Como se alguém aprendesse alguma coisa copiando de forma descerebrada textos chatos para uma folha de papel almaço.

Exigir isso hoje só serve para atrapalhar a vida do aluno, que terá que usar régua para fazer o sublinhado dos links. O segredo é não apelar para trabalhos que podem ser feitos na base do copy/paste.

A caligrafia como arte continuará existindo, o advento dos computadores não matou (ao menos em nosso programa espacial) nem a datilografia. O que não será mais comum é gente com “letra bonita”, do mesmo jeito que hoje ninguém sabe ajeitar o azimute do gravador K7, conhecimento imprescindível para o jovem micreiro dos Anos 80.

Como bem disse o filósofo Robert Zimmerman, os tempos, eles estão mudando.

Fonte: SS.

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