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Evento da MasterCard mostra novidades e tendências em pagamentos eletrônicos

Estivemos em Miami a convite da MasterCard para conferir a terceira edição do seu Fórum Anual de Inovação em Pagamentos, evento que contou com a presença de Robert Wolcott da Kellogg Innovation Network e Garry Lyons, chefe de inovação da MasterCard e o chefe do MasterCard Labs, área da empresa dedicada a criação de novos produtos e serviços. Confira como foi o evento!

5 anos atrás

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Na 3ª edição do seu Fórum Anual de Inovação em Pagamentos em Miami, a MasterCard mostrou as tendências para o futuro dos pagamentos eletrônicos, incluindo o serviço MasterPass, para pagamentos através de praticamente qualquer aparelho móvel e o ShopThis!, no qual você pode comprar produtos a partir de vídeos ou até mesmo de revistas impressas.

O evento voltado para o mercado da América Latina e Caribe teve palestras bem interessantes como a de Robert Wolcott da Kellogg Innovation Network e David Cohen, que apresentou a evolução dos pagamentos desde 1964, quando foi lançado o primeiro cartão da empresa, além da apresentação de Garry Lyons (foto acima), chefe de inovação da MasterCard e responsável pela área da empresa que está sempre de olho no futuro, o MasterCard Labs, que conta com laboratórios em Dublin e Miami.

O Apple Pay aumentou a percepção do público em geral para este tipo de transação.”

Na abertura do evento, Gilberto Caldart, presidente da MasterCard para a América Latina e Caribe, falou sobre o panorama do mercado de pagamentos, que vive em constante mudança, deixando claro que o futuro do comércio está indo na direção de transações digitais: “Há alguns anos vemos a inclusão de chips NFC em smartphones Android para uso no sistema de pagamentos Google Wallet, e recentemente o Apple Pay aumentou a percepção do público em geral para este tipo de transação.”

O foco principal da MasterCard para a América Latina é tentar mudar o panorama atual, no qual 70% da população não conta com conta bancária, e uma das soluções para isto são dois serviços criados em parcerias com as operadoras Vivo no Brasil (Zuum) e o Movistar (Tu Dinero Móvil) para o resto da região, que funcionam basicamente como contas correntes pré-pagas.

Caldart também acredita que outro grande potencial para pagamentos digitais é a Internet das Coisas, que vai conectar nossos carros, geladeiras, máquinas de lavar e outros aparelhos que usamos no dia a dia, incluindo casas totalmente conectadas.

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Em sua palestra, Robert Wolcott levantou alguns pontos importantes sobre como grandes empresas perdem seu espaço no mercado, apesar de investirem em inovações e terem funcionários capazes e inteligentes, citando o caso de várias empresas incluindo a Pan-Am, IBM e Kodak.  Como isto pode acontecer? Como uma empresa que está no topo pode chegar ao fim? Ele acredita que o problema não é a falta de capacidade, e sim outro motivo. Não é que eles não estavam inovando, eles só não estavam transformando esta inovação em produtos que as pessoas quisessem.

Como as empresas devem se preparar para enfrentarem sua concorrência, que está cada vez mais feroz? “Se você faz uma coisa e ganha muito dinheiro, o que as outras fazem? Te copiam”, disse Wolcott. “Como escapar disto? Nós temos que inovar mais rápido do que antes.” Para ele, a grande ameaça não vem dos concorrentes diretos, e sim da “periferia”.


No caso da AT&T, a empresa sempre considerou a Verizon como sua grande concorrente, e não percebeu que um dos seus melhores clientes, o Google estava se tornando seu competidor com a instalação do serviço Fiber em Kansas City. Outro exemplo foi o da Red Bull e o mercado de energéticos, um fenômeno que foi ignorado pela Coca-Cola até que já era tarde demais e tinha se tornado um mercado bilionário.

Como uma empresa se destaca? Criando estrutura e processos para se tornar mais eficiente no que faz. Para Wolcott, “existe um problema com a eficiência, quanto melhor você fica no que já sabe fazer, mais complicado é para mudar o rumo e passar a fazer outra coisa, e muitas vezes é justamente isto o que os clientes buscam.”

Se você olhar sempre para os mesmos lugares, terá sempre as mesmas respostas.”

Para ele, existem dois tipos de comportamento dentro de empresas, o de criar fortificações que funcionam como verdadeiros fortes medievais, ou navios para partir em missões de exploração e descobrir novos mercados: “São dois ambientes completamente diferentes, com métricas diferentes, mas ambos essenciais para uma empresa. Como um líder, você tem que saber onde colocar cada pessoa, e ficar de olho em quem pode ser o capitão do seu navio.”

No mundo corporativo, onde “as ideias são primeiro consideradas culpadas antes de serem consideradas inocentes”, é preciso pensar de fora para dentro para encontrar a solução: “Se tomarmos como exemplo a popularização dos celulares em 1988 ou da World Wide Web em 1994, veremos que o mundo e os paradigmas mudam constantemente, e as empresas precisam estar preparadas”, acredita Wolcott.

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Citando a descoberta da penicilina pelo Dr. Alexander Fleming, Wolcott concluiu sua apresentação com a frase:

Nós só conseguimos ver as coisas que estamos procurando.”

 

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Garry Lyons, chefe de inovação da MasterCard, mostrou como a empresa busca usar a tecnologia para facilitar a vida das pessoas. O objetivo é diminuir ao máximo a “fricção” nas transações através da autenticação constante, assim você não vai precisar fazer a autenticação por imagem do seu rosto ou nem mesmo com o prático Touch ID dos iPhones. Como isto funciona? Simples, seu smartwatch ou pulseira de exercícios captura os batimentos do coração para identificar o usuário, pois eles são únicos, como uma impressão digital. Assim, ao chegar perto do carro, a porta abre automaticamente, assim como em casa e no escritório. Ele aposta que daqui a 10 ou 15 anos, todos nós estaremos fazendo compras da nossa geladeira, ou até mesmo ela fará isto sozinha, comprando automaticamente um litro de leite (ou qualquer outro produto) quando ele estiver acabando.

Lyons citou a pulseira Nymi, que usa este sistema de autenticação constante, e além de monitorar seus exercícios e mostrar as notificações de emails e mensagens, e que conta com investimento da MasterCard. Como ela tem NFC integrado, pode ser usada para fazer pagamentos, mesmo sem que o smartphone esteja por perto.

A MasterCard Labs realiza algumas ações pontuais para resolver problemas de clientes, e como exemplo, foi mostrada a solução do pagamento pelo MasterPass em uma máquina de refrigerantes, através de um smartwatch, smartphone e até mesmo o Google Glass. Todo este projeto foi implementado em 48 horas, incluindo software e hardware.

Outro exemplo do trabalho da MasterCard Labs foi a solução desenvolvida para a empresa de lavadoras de roupa Maytag, transformado em realidade em apenas 5 dias. O sistema mostra quais são as máquinas de lavar que estão disponíveis, permite que o usuário pague com seu aparelho móvel sem ter que se preocupar em ter as moedas ou notas certas, e até mesmo receba notificações avisando que a roupa está lavada, assim ele não precisa ficar parado esperando na frente da máquina de lavar. É possível até mesmo acompanhar o processo de lavagem através de uma webcam, embora eu não entenda por qual motivo alguém ia querer fazer isto. Lyons explica estas visitas para resolução de questões:

A inovação não acontece sempre no laboratório, nós precisamos ir até o cliente para entender exatamente qual é o problema antes de tentarmos resolvê-lo.”

Quando alguém vai almoçar ou jantar em um restaurante, geralmente passa um bom tempo esperando a conta chegar, um tempo perdido para o cliente e para o local, afinal alguém que já pediu para fechar a conta não está gerando mais lucros. Usando a ferramenta Qrk! com a tecnologia MasterPass, é possível pagar tudo pelo app, sem ter que esperar o garçom voltar com a máquina de cartão.

Falando sobre vendas online, Lyons mostrou a solução Simplify, que busca ser uma verdadeira revolução para facilitar a vida dos lojistas. Tudo o que é preciso para transformar um site em uma loja online é copiar e colar um código no site. As lojas são totalmente funcionais, e permitem uma personalização completa, além de funcionarem tanto na web como em aparelhos móveis: “O objetivo foi tornar tudo bem mais fácil, assim alguém com um site estático poderá aceitar pagamentos em minutos”. O Simplify tem um SDK disponível em 9 linguagens de programação.

Nosso foco é usar a tecnologia para tornar a vida das pessoas mais fácil.”

Ele também falou sobre o processo para gerar novas ideias dentro da própria empresa, e que este ano gerou 281 sugestões, eventualmente reduzidas a 6 propostas levadas a votação por todos os funcionários. A equipe vencedora levou US$ 250 mil, mas várias das outras ideias poderão ser aproveitadas em novos produtos ou serviços da MasterCard. É claro que ele não divulga o que são estas propostas, para não dar armas para a concorrência.

A MasterCard Labs também trabalha com startups, e funciona até mesmo como uma aceleradora ou incubadora, criando novas empresas que podem gerar produtos ou serviços interessantes para a MasterCard. No Brasil, a MasterCard está fazendo neste momento um desafio de E-Commerce, o Shift, uma competição para desenvolvedores ou startups que tenham boas ideias para soluções ou aplicativos para revolucionar os pagamentos no país. A competição vai até o dia 26, e vai oferecer R$ 20 mil em prêmios, saiba mais aqui.

O Meio Bit viajou para o evento a convite da MasterCard.

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