Como Michelle Phan foi do YouTube a uma startup milionária

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Eu costumo dizer que aqueles que dominam a arte da maquiagem não estão muito longe de serem verdadeiros magos. Embora eu não seja o mais indicado para falar sobre, é só dar uma zapeada pelo YouTube para checar inúmeros tutoriais que fazem verdadeiras magias negras no que diz respeito à transformação do rosto de uma pessoa, seja homem ou mulher. Mas a maioria desses canais são de entusiastas, não de empreendedores.

Por isso a trajetória de Michelle Phan, YouTuber que conta com mais de 7 milhões de viewers inscritos em seu canal, hoje empreendedora de sucesso com uma startup que movimenta cerca de US$ 84 milhões por ano é algo legal de se acompanhar.

Hoje Phan, uma jovem de 27 anos é um fenômeno mundial. É seguro afirmar que ela é a pessoa mais vista do YouTube quando o assunto é maquiagem, pois seus vídeos já foram vistos por mais de um bilhão de pessoas em todo o globo. Em entrevista à Dawn Chmielewski durante à Code Conference, Phan lembrou dos períodos difíceis que sua família passou — ela nasceu no Vietnã, e quando ainda era muito nova sua família se mudou para Boston. Eles chegaram a viver de sobras de comida por um tempo — e revelou que seu canal começou em 2007 devido uma recusa de emprego na área cosmética: ela trabalhava como atendente e quando tentou um cargo de vendedora, foi recusada por “não ter experiência em vendas”. Quão irônico…

Ao invés de se abater, Phan descobriu no YouTube uma forma de dar vazão a algo que ela gostava de fazer: tutoriais de maquiagem. Entretanto ela começou a se destacar não só pelos looks, mas pela sua autenticidade na frente das câmeras, além do sentimento de cumplicidade que o espectador sentia “ao ver meu quarto bagunçado no vídeo”, segundo a própria. Além disso ela não tem medo de parecer boba, e o público aprecia quem faz isso sem parecer artificial.

Seus vídeos hoje mantém a média de um milhão de visualizações, mas há os sucessos absolutos como os visuais de transformações faciais diversos, indo desde as princesas da Disney, uma Barbie Zumbi, a Sailor Moon e um dos mais vistos, inspirado em Lady Gaga (com quase 50 milhões de visualizações; o campeão ainda é a Barbie).

Michelle Phan — Lady Gaga Bad Romance Look

Entretanto Phan soube empreender. Como seus vídeos conseguem aglutinar um público gigantesco, capitalizar em cima deles é até fácil. Em 2008 ela foi descoberta pela Lancôme, uma linha de cosméticos da L’Oréal, o que levou a um contrato de divulgação e propaganda. Em 2009 e 2010 o Buzzfeed divulgou os dois tutoriais inspirados em Lady Gaga, e seu canal explodiu em popularidade.

Pouco tempo depois ela fundou em parceria com a Lancôme a Ipsy, uma startup que vende um kit com cosméticos variados, as chamadas Glam Bags. Por US$ 10 mensais o assinante recebe uma bolsa com produtos sortidos de primeira linha. Resultado: mais de 700 mil assinante e um faturamento anual de impressionantes US$ 84 milhões. E como se não bastasse ela está lançando um livro com suas experiências e dicas. Não é exagero afirmar que hoje Phan é uma gigante do ramo cosmético.

Claro, tanto dinheiro fluindo atraiu alguns tentando morder seu sucesso, no caso a indústria do copyright moveu um processo contra ela por suposto uso indevido de trilhas sonoras em seus vídeos – o que é engraçado, pois tudo havia acordado de antemão. Obviamente que os advogados tentaram arrancar mais dinheiro dela. Depois de resolvida a pendenga a vingança de Phan foi deliciosa: ela lançou uma gravadora própria, focada em descobrir novos artistas, na internet ou fora dela. Michelle Phan se posiciona como uma defensora do “Time Internet”, pois acredita que hoje em dia é complicado dizer quem é dono de quê, a natureza da internet faz das leis de propriedade intelectual verdadeiros dinossauros.

E não para por aí: ela fechou mais um contrato com a Endemol Beyond, que ajudará a promover a FAWN (For All Women Network), sua rede de canais focados em beleza, saúde e bem-estar.

Como supervisora ela ajuda produtores de conteúdo a criarem virais sem perder a espontaneidade, que foi o que a ajudou a chegar onde ela está hoje. Para Phan, o alcance do YouTube é tal por causa justamente da cumplicidade do autor do vídeo com o espectador. “Você quer se conectar com alguém”, e não subir num palanque como a TV ainda dá a impressão. A sensação de proximidade é maior e por isso quem tenta ser artificial ou não cativa a pessoa do outro lado da tela não vai para a frente. “Fazer um viral é fácil, ser consistente é difícil”, diz ela.

Não é preciso forçar muito para ver que Michelle Phan ainda vai muito longe. Nada mal para alguém que perdeu uma chance de emprego por não ser considerada uma vendedora de futuro.

Fonte: r/c.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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