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Seu cérebro sabe que aquilo é altamente calórico

Uma nova pesquisa com neuroimagens sugere que há um “contador de calorias interno” no seu cérebro que avalia cada alimento com base na sua densidade calórica. O estudo procurou determinar como a conscientização sobre o conteúdo calórico da comida influenciaria as áreas conhecidas do cérebro que correlacionam a avaliação das escolhas dos alimentos pelas pessoas.

5 anos atrás

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Alguém aí já se perguntou como é determinado o valor calórico dos alimentos?

Era uma dúvida que eu sempre tive até que um dia, lá em meados do quinto ano da faculdade de química, tivemos essa prática laboratorial em uma disciplina de química analítica. Sabemos que os alimentos são compostos de várias classes alimentícias, como carboidratos, fibras (um tipo de carboidrato não digerível por nós), lipídios e proteínas.

Cada uma dessas classes contribui com uma informação calórica diferente. A ideia é, então, separá-las e calcular a quantidade que há de cada uma. Depois de diversos processos de extração e algumas reações, determinamos as quantidades de cada espécie e com alguns cálculos simples conseguimos encontrar o valor calórico de um alimento.

É importante lembrar que as calorias não estão relacionadas se um alimento é ou não saudável, e sim com a quantidade de energia que ele consegue fornecer, que é equivalente ao calor trocado quando a massa de um grama de água passa de 14,5 °C para 15,5 °C. Mas é fato que alimentos industrializados, mais saborosos e aquela batata frita são altamente calóricos.

Desta vez, foi realizado um estudo sobre o que seu cérebro acha disso tudo. Quando você olha um cardápio ou anda entre os corredores em um supermercado, você pode estar pensando em como é o sabor de cada alimento, se ele é nutritivo, ou você pode apenas estar tentando decidir o que você pode comer que combine com seu humor naquele momento. No entanto, uma nova pesquisa com neuroimagens sugere que, enquanto você está pensando todas essas coisas, um “contador de calorias interno” no seu cérebro também está avaliando cada alimento com base na sua densidade calórica. Os resultados foram publicados na Psychological Science, uma revista da Association for Psychological Science.

O autor do estudo, Alain Dagher, neurologista do Instituto Neurológico de Montreal e do Hospital, diz:

Estudos anteriores descobriram que as crianças e os adultos tendem a escolher alimentos de alto teor calórico. A disponibilidade fácil e o baixo custo de alimentos de alto teor calórico são responsavéis pelo aumento da obesidade [oh, really?]. Seu consumo é fortemente regulado pelos efeitos esperados destes alimentos que provavelmente são aprendidos através da experiência.”

Ou seja, por tudo que aprendemos durante a vida do que é mais calórico, sobre alimentos mais saudáveis e mimimi, nosso cérebro consegue se lembrar disso. A pesquisa procurou determinar como a conscientização sobre o conteúdo calórico das pessoas influencia as áreas conhecidas do cérebro que correlacionam a avaliação das escolhas de alimentos pelas pessoas. Os cientistas descobriram que a atividade cerebral deduz o verdadeiro teor calórico dos alimentos.

Para o estudo, 29 participantes saudáveis ​​foram convidados a analisar fotos de 50 alimentos conhecidos. Os participantes classificaram o quanto eles gostavam de cada alimento (em uma escala de 1 a 20) e foram convidados a palpitar sobre o teor de calorias de cada um. Entretanto, surpreendentemente, eles foram falhos em julgar a exatidão do número de calorias nos diversos alimentos. Será que não queremos assumir que preferimos comidas mais calóricas?

Enquanto os participantes olhavam as imagens dos alimentos, foram adquiridas imagens cerebrais funcionais, os quais mostraram atividade no córtex pré-frontal ventromedial, uma área conhecida por codificar o valor de estímulos e prever o consumo imediato, foi também correlacionada com o verdadeiro valor calórico dos alimentos.

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Já as classificações explícitas dos participantes quanto a gostar ou não de um alimento, por outro lado, foram associadas com a atividade na ínsula, uma região do cérebro que tem sido associada ao processamento das propriedades sensoriais dos alimentos. De acordo com Dagher, entender as razões para as escolhas alimentares das pessoas pode ajudar a controlar os fatores que levam à obesidade, uma condição que é relacionada a muitos problemas de saúde, incluindo a pressão alta, doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Bom, eu penso que se eu soubesse que a atividade cerebral conseguiria ser tão precisa na determinação do valor calórico de qualquer alimento, as aulas daquele semestre na segunda-feira de manhã teriam sido bem menos trabalhosas. E se fosse possível usar o cérebro durante uma prova, iria acertar tudo (só ia faltar o equipamento de neuroimagens, mas detalhes…).

Fonte: SD.

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