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Scorpion: a Vitória Final Dos Nerds - Crítica

A série Scorpion é uma história despretensiosa sobre um impossível grupo de nerds que não está desenvolvendo clones do Facebook

5 anos atrás

Os Anos 80 foram a década do Brucutu. Com exceção do McGyver, todo mundo resolvida os problemas na base da porrada. Quando havia um personagem mais inteligente, em geral se resumia a um helpdesk para onde o herói ligava para conseguir um endereço, para onde ia e enfiava a porrada em alguém.

Nos Anos 90 começaram a aparecer os personagens mais inteligentes, como Fox Mulder, além de séries como Criminal Minds, Stargate SG-1 e Lei e Ordem. As franquias de Star Trek, Babylon 5 e outras, também sempre tinham personagens que se destacavam pela inteligência, não pela violência.

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Aos poucos, ser inteligente deixou de ser feio, deixou de ser coisa de nerd. Hoje, Tony Stark é antes de tudo um gênio. Tyrion Lannister é tudo menos um guerreiro e ninguém assiste The Mentalist ou Sherlock por causa dos tiroteios. Poucas séries fizeram tanto barulho quanto Lie to Me, ao menos em seu primeiro ano. Smart is the New Sexy, dizem.

Scorpion, por sua vez, se propõe a ter os mais smarts de todos.

CUIDADO: CONTÉM SPOILERS

A série conta a história de Walter O'Brien, um gênio com QI de 197 (Einstein tinha 160 de QI, como enfatizam na abertura da série) que com 13 anos foi preso por hackear a NASA, pois ele queria plantas do Shuttle para pendurar na parede do quarto. Recrutado aos 16 pelo Agente Gallo, interpretado por Robert Patrick, o eterno T-1000, Walter tem um desentendimento sério e se afasta dos contatos do governo.

Ele resolve, então, montar uma equipe de gênios, cada um em sua área, e vender sua expertise na resolução de problemas, qualquer problema.

Eis que um dia o Agente Gallo vai bater na porta de Walter. Um erro no update do software do Controle de Voo do aeroporto de Los Angeles (eu sei) se propagou para os aviões (eu sei) e estão todos sem comunicação. O combustível está acabando, ninguém sabe o que fazer e milhares de pessoas morrerão quando os aviões começarem a cair, em pane seca (eu sei eu sei, aviões não funcionam assim).

À contra-gosto Walter topa, e coloca sua equipe trabalhando no problema. Aliás, cada um é apresentado fazendo o que faz melhor.

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Happy Quinn é a japinha do grupo, uma engenheira que conserta tudo, conhece tudo e fuça tudo. Ela aparece fazendo um gato depois que o galpão deles teve a luz cortada, pois o responsável não pagou a conta.

Sylvester Dodd é a grata surpresa do grupo. Em um dos raros casos onde o Gordo do Grupo não é “o” engraçadinho, Sylvester não segue a linha John Goodman. Ele é um matemático genial, com graves problemas de OCD, e não no estilo bonitinho de Monk. Ele é obcecado com estatística, e não se sente confortável conversando com estranhos. Ele não pagou a conta por não gostar de lidar com dinheiro.

Toby Curtis é um psicólogo behaviourista equivalente ao time inteiro de Criminal Minds e o Cal Lightman de Lie to Me juntos. Tem problema com jogos e com a ex-mulher, ou melhor, ex-noiva.

Paige Dineed é uma garçonete em um bate-entope onde Walter faz um trocado consertando o Wi-Fi (ninguém disse que os negócios iam bem). Ela tem um filho autista cheio de pobrema, e que rende uma das melhores cenas do episódio: Walter está mexendo no roteador, observando o garoto de nove anos mexer aleatoriamente objetos no balcão. Walter vai até ele, olha, começa a mover saleiros. Paige chega, toda protetora explicando que Ralph, o filho não fala com ninguém, só com ela, e tem problemas de aprendizado.

Walter explica que o problema é que ele é inteligente demais, e ninguém percebe. Os objetos na mesa eram na verdade um tabuleiro de xadrez, Walter quebrou a barreira ao perceber isso e jogar com Riley. Finalmente, alguém o entendeu, e ele conseguiu interagir.

Quando toda a rede do FAA está comprometida, Walter precisa de um link “puro” para tentar resolver o problema dos aviões, então vão pro Bate-Entope da Paige. O Agente Gallo dá uma carteirada, bota todo mundo para fora e eles começam a correr atrás, com direito a Walter hackeando as câmeras da Torre de Controle pra guiar os operadores, mas claro não dá certo.

A solução é arrumar uma cópia da versão antiga do software, afinal programadores apagam todos os backups assim que jogam em produção uma versão não-testada (eu sei!). Eles descobrem o datacenter onde guardam o backup e há outra cena muito legal, com o psicólogo deduzindo qual seria o servidor, baseado numa foto do Administrador de Sistemas.

CLARO, não dá certo, a anta do psicólogo deixa o HD na porta do carro, do lado do alto-falante.

MegaFlixHD — Official Treiler Scorpion Season 1 CBS First Look HD

Precisam arrumar um outro jeito. No melhor estilo House, Walter tem uma ideia ao observar o garoto autista. Aviões vindos do exterior ainda tem uma cópia antiga do software (eu sei) e seria possível baixar (literalmente) a versão e replicar para torre e para os outros aviões. A questão: como comunicar isso ao piloto?

Eles pegam o manifesto de passageiros e o psicólogo tenta identificar qual deles teria um celular analógico. Acham um vendedor, e o piloto é informado do plano.

Por causa do Efeito Doppler, o episódio culmina em Walter dirigindo uma Ferrari em uma pista de aeroporto, com um avião a um metro de distância. O co-piloto por sua vez espetou um cabo de rede e se pendurou no trem de pouso, esticando para Paige pegar, espetar no laptop e baixar o software.

Se você não achou a bobagem descrita no parágrafo anterior imensamente divertida, Scorpion não é para você, melhor ficar com reality shows e séries sérias e calcadas na Realidade, como Lost e Game of Thrones.

Ao final, o Agente Gallo oferece a todos um emprego, como uma força-tarefa especial do Governo. Walter aceita, mas exige que a garçonete venha junto, ela é uma pessoa comum que traduz o mundo real para eles.

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Scorpion é uma bobagem divertida, é tão real quanto Bones e NCIS, eu diria que é uma espécie de Numb3rs bêbado. É um afago nos nerds, são personagens super-inteligentes agindo de forma inteligente e resolvendo problemas com inteligência. É irreal? Totalmente. Os roteiristas não entendem NADA de aviação? Com certeza, mas e daí?

O segundo episódio já foi ao ar e conseguiram manter o nível. Mais complexidade foi adicionada, descobrimos que a irmã do Walter sofre de esclerose múltipla e ele se culpa por não saber como resolver isso.

Conclusão

Como série, Scorpion não vai mudar a televisão. Não é Breaking Bad, a melhor série que já vi, talvez com exceção de The Wire. Não é CSI, que criou todo um subgênero, mas é entretenimento. Diverte, foge do tradicional modelo de protagonistas que xingam batem, empurram e intimidam (estou olhando pra você, Olivia Benson) e não tem dedo do George R.R. Martin, então dá até para se apegar a alguém.

Agora a parte divertida: DIZEM que a série foi baseada na vida de Walter O'Brien, um sujeito real, que se existir mesmo é um dos maiores babacas do Universo. Ao menos é o que passa nas entrevistas. Ele fez um AMA desastroso no Reddit e tenho 98% de certeza de que é tudo um viral para promover a série, mas isso é assunto para outro post…

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