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FBI não gostou dos sistemas de encriptação do iOS e Android

Diretor do FBI não gostou nada da criptografia automática do iOS e Android, e revela que agência já pressiona Apple e Google para cederem dados dos usuários

5 anos atrás

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Quando Apple e Google apresentaram seus novos planos para facilitar a encriptação de dados do usuário como forma de aumentar a segurança e evitar que o governo metesse o nariz em tudo, vasculhando as vidas dos usuários sem necessidade nós sabíamos que ao menos alguém iria chiar: as agências de segurança.

Dito e feito: o atual diretor do FBI James Comey externou suas preocupações com o que chama de "uma tentativa de colocar as pessoas acima da Lei".

Em uma coletiva de imprensa em Washington, Comey disse estar "muito preocupado" com a iniciativa de Cupertino e Mountain View de encriptar automaticamente todos os dados do usuário, fechando a porta na cara dos investigadores do Bureau que podiam muito bem ter acesso a qualquer coisa. Como as empresas entregam as chaves na mão dos usuários, ambas não tem como quebrar a segurança dos dados mesmo que o governo solicite o acesso a eles. Com isso cria-se uma dificuldade para as agências que seriam em tese obrigadas a lidar diretamente com o usuário, algo que ninguém quer fazer. Para o diretor do FBI, Apple e Google não tem o direito de oferecer uma ferramenta que burle a lei (ela seria uma ameaça ao Patriot Act, que dá plenos poderes às agências norte-americanas como forma de investigar potenciais terroristas):

Eu acredito piamente na lei, e também que ninguém neste país está acima dela. (...) O que me preocupa é o fato dessas companhias oferecerem uma ferramenta expressiva que permita às pessoas se colocarem acima da lei.

Comey disse que o FBI deve ter o acesso livre a qualquer smartphone vendido nos Estados Unidos, como forma de rastrear criminosos e que a atitude de Apple e Google não faz sentido e de fato, não será tolerada. Por isso o Bureau já está em fase de conversação (leia-se pressionando) para que ambas empresas voltem atrás em suas atuais políticas de segurança, de modo que o FBI possa voltar a ter acesso aos dados dos usuários de smartphones livremente.

Isso já era esperado na realidade e o FBI dificilmente será o único órgão de segurança a encher o saco de ambas empresas. O fato é que desde que o menino da informática do Kremlin Edward Snowden colocou a boca no trombone, ninguém mais quer seus dados circulando livremente por aí. O que Apple e Google fizeram foi tornar automáticas opções de criptografia já existentes, que a maioria dos usuários não utilizava. O grande problema e esse é o argumento da agência é que a criptografia protege todo mundo, inclusive quem anda fazendo coisas erradas. Comey disse que o ato de Snowden pode levar a "consequências jamais vistas", mas esse é o mundo com o qual as agências têm de lidar agora: uma população que não quer ceder seus dados ao governo e empresas que não querem colocar o seu na reta e se tornarem cúmplices.

Fonte: HP.

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