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Streaming? MP3? No Japão quem reina ainda é o CD

CDs ainda respondem por 85% do mercado de vendas de música no Japão, mas nem tudo é o que parece ser

5 anos atrás

cds

Enquanto que na maioria do mundo, mesmo por aqui o consumo de música digital esmagou e vilipendiou o CD, ironicamente o contrário acontece no Japão: o país conhecido por viver 250 anos no futuro devido aos avanços que costumam vir de lá (junto com algumas bizarrices, é verdade) ainda é um ávido consumidor de mídias de música físicas, mas ao contrário do que possa parecer isso não ocorre porque os cidadãos locais não gostam do MP3 simplesmente.

As vendas de CDs em todo o mundo estão caindo, isso é um fato. O Japão não é exceção, mas ao contrário da maioria do planeta em que a mídia física foi suplantada pela distribuição digital, seja via lojas como iTunes e outras ou serviços de streaming como Spotify, Rdio e etc, os CDs ainda respondem por 85% de todas as vendas de música do país. O mercado japonês, que só perde para o norte-americano enfrenta uma queda nas vendas de CDs de 17% na última década, mas o mercado digital está numa decadência muito mais acentuada: de US$ 1 bilhão em 2009 para míseros US$ 400 milhões em 2013, de acordo com a Recording Industry Association of Japan.

tower-records

A resistência das gravadoras e artistas locais a aderirem aos serviços de distribuição digital é um dos motivos, principalmente devido ao próprio formato do mercado japonês: o consumidor de lá gosta de adquirir edições limitadas e produtos que contenham brindes físicos, algo que não dá para oferecer via distribuição digital da mesma forma que anexando-o ao produto físico. Os japoneses em geral preferem ter o objeto físico a comprar uma cópia digital, o que ajuda a manter as vendas de CDs, mas não o suficiente: há outro fator que segura de forma um tanto artificial as vendas de CDs no Japão, que são as j-idols.

akb48

Vamos tomar como exemplo o AKB48, de longe o grupo que mais vende CDs no Japão: cada single seu vende mais de um milhão de cópias. O ranking anual da Oricon (o equivalente local da Billborard) lista nos últimos tempos todos os lançamentos do grupo no topo da lista. Os fãs são tão ardorosos assim? Sim, são, mas por outro motivo: cada single vendido contém um cupom que dá direito a participar de um dos ínumeros handshakes promovidos pelo grupo principal e seus co-irmãos sediados em diversos lugares (quatro no Japão, um em Xangai e outro em Jacarta, Indonésia), são aqueles encontros vergonha alheia onde o otaku fica na fila por horas para apertar a mão de sua idol favorita e falar alguma coisa por míseros 10 segundos. É aquele mesmo evento que deu um problemão meses atrás.

Pois bem: os fãs, malucos que são não se contentam em comprar apenas um único single do AKB48 e adquirem vários. Quando é realizada a tal eleição geral anual para o público escolher a sua preferida, alguns malucos endinheirados compram literalmente MILHARES de singles (NSFW, cuidado, too much Japan). E isso se repete com todos os grupos de idols, ainda que em menor grau.

Isso ajuda a inflar os números, não é que os consumidores estão comprando CDs loucamente, mas malucos adquirem singles de baciada atrás de cupons. A mídia especializada odeia esse cenário, pois aos olhos de muito de nós fica parecendo que o cenário musical japonês se resume somente às idols, o que não é verdade. Já as gravadoras e os artistas adoram esse tipo de mercado, e é algo que a distribuição digital não tem como prover. Logo, tanto o consumo é reduzido como a adesão por parte das gravadoras não é interessante: elas simplesmente perderiam dinheiro.

Claro, não é como se o mercado local não soubesse que isso não vai durar: em algum momento não só o frisson pelas idols vai implodir quanto a predileção geral do japonês pela mídia física vai arrefecer, fazendo com o que o mercado digital volte a entrar nos eixos (como dito lá em cima as vendas de CDs também estão em queda, mas num ritmo muito lento). O único porém é tentar descobrir quando isso vai ocorrer.

Fonte: NYT.

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