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Resenha — Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário

Comemorando 20 anos de Brasil, chega pela Diamond Films aos cinemas de todo o país o novo filme dos Cavaleiros do Zodíaco (e em computação gráfica à la Pixar), “A Lenda do Santuário”. Vale a pena? Leia nossa resenha.

4 anos atrás

Vinte anos atrás, a finada Rede Manchete trouxe à TV aberta uma verdadeira febre à toda uma geração: numa quinta-feira, dia 1º de setembro, ela exibiria o primeiro episódio do animê Saint Seiya, mais conhecido como Os Cavaleiros do Zodíaco.

A Manchete chegou a exibir Os Cavaleiros do Zodíaco no horário nobre e a audiência teve picos de 18 pontos no IBOPE, um marco. Tal franquia foi um sucesso meteórico no final do século passado, com muitos brinquedos e outros produtos vendidos às crianças e adolescentes embora o animê hoje seja considerado pelo governo como violento demais para tal faixa etária.

Para tentar conquistar novos fãs (e ajudar a vender produtos aos mais velhos), a Toei Animation começou a renovar a franquia em 2003 com Saint Seiya: A Saga de Hades, uma nova série de animação (OVA) que continua o enredo do mangá não abordado pelo animê original, que foi exibido até 1989 na TV japonesa. Em 2004 o animê original até retornou rapidamente à TV aberta brasileira, mas sem muito alarde. Enfim, desde 2003 tem aparecido mais séries que continuam e/ou complementam Os Cavaleiros do Zodíaco, como Saint Seiya Omega e Saint Seiya: The Lost Canvas, mas sem o sucesso do original.

É nesse cenário que entra o reboot Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário.

Cinesystem Cinemas — Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário (Trailer Dublado)

Saint Seiya: Legend of Sanctuary é uma reimaginação da Saga das 12 Casas do Zodíaco, que durou 73 episódios no animê e 18 volumes no mangá, comprimida em um linda animação em CGI com pouco menos de duas horas e voltada para atrair novos fãs.

O novo filme também comemora os 25 anos do encerramento do animê original no Japão, os 40 anos de carreira do mangaká Masami Kurumada e os 20 anos da estreia de Os Cavaleiros do Zodíaco no Brasil.

Esse álbum oficial está comigo há 19 anos e ainda me faltou uma figurinha.

O resumo, sem muitos SPOILERS, é o seguinte: a reencarnação da deusa Atena vive no Santuário — imagine a cidade-estado Atenas (antiga Grécia) na mesma dimensão da Asgard do filme Thor (Marvel) — e é protegida pelos poderosíssimos doze Cavaleiros de Ouro cujas armaduras representam cada constelação principal do Zodíaco, os signos de Áries a Peixes.

Em meio à disputa pela sucessão à Mestre do Santuário, o Cavaleiro de Ouro da Casa de Sagitário é acusado de tentar matar a menina Atena. 16 anos depois, o novo Mestre do Santuário ordena que todos os Cavaleiros matem uma garota chamada Saori Kido, rebelde do Santuário protegida por um quinteto de Cavaleiros de Bronze.

Embora o objetivo seja tentar conquistar novos fãs, o reboot faz uma bela homenagem ao material original trazendo a grande maioria dos personagens do mangá e animê. Só que por causa do tempo limitado para desenvolver os velhos conhecidos, o novo filme de Saint Seiya faz grandes sacrifícios: embora o Cavaleiro de Ouro da Casa de Câncer seja bem exagerado, como velho fã o tio Laguna pode considerar que tudo vai bem até a batalha na Casa de Leão. Depois dela, o filme toma um rumo bastante diferente do que vemos no mangá e animê originais.

Laguna_Cavaleiros_do_Zodiaco_Lenda_do_Santuario

Particularmente gostei de algumas das mudanças feitas, inclusive nas novas armaduras, que são uma mistura bem interessante entre Transformers e Homem de Ferro. Como não foi possível introduzir as duas mais importantes Amazonas de Prata, elas foram meio que substituídas pela Amazona de Ouro da Casa de Escorpião. Foi bem melhor que a Amazona de Ouro da Casa de Gêmeos que apareceu em Saint Seiya Omega, vai por mim.

Os únicos grandes problemas que vi foram: uma ou outra falha de continuidade que somente os fãs mais antigos e atentos perceberão, o péssimo aproveitamento de um ou outro personagem favorito que pode ser justificado pelo curto tempo de exibição e a ausência de qualquer música marcante do animê. Isso mesmo, apesar de o trailer trazer Pegasus Fantasy, os créditos japoneses têm como música de fundo uma canção tão chata quando as d'A Saga de Hades.

Fim dos SPOILERS.

Não saia da sala de exibição do cinema antes da cena extra bonitinha que vem antes dos rápidos créditos dos dubladores brasileiros da Dubrasil.

Dubrasil - Central de Dublagem — Making Of - “Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário”

Como fã de carteirinha, devo avisar: Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário só funciona dublado. E foi BEM dublado: aparentemente só os dubladores brasileiros trazem alguma emoção ao novo filme. E estão todos os dubladores lá. Mesmo o falecido dublador do Camus de Aquário é substituído por um profissional à altura.

Veredito

Se você já era fã, o reboot até vale a pena mas mantenha a mente aberta e vá consciente de que é um outro universo com quase os mesmos personagens: oras, o animê e o mangá original continuam lá intocados e esta animação em CGI não tenta substituí-los.

Se você nunca foi fã e está curioso em saber o porquê de Cavaleiros do Zodíaco ter feito tanto sucesso no passado, dê uma conferida… Censura: livre!

Uma última dica: se o cinema permitir a entrada de cachaça, faça um drinking game toda vez em que alguém disser MORRA SEIYA. 😉

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