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Visão Otimista: a Gol está usando tecnologia do SR-71 em seus aviões

Imagine a situação: um Boeing 737 chega no hangar para ser inspecionado. Os JÊNEOS não seguem os procedimentos e abrem a tampa de inspeção do tanque central, sem drenar o dito-cujo. Resultado? Uma bola-fora da Gol. Clique e veja esse show de vergonha-alheia. Em vídeo!

5 anos atrás

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O Lockheed SR-71 é a obra-prima do gênio aeronáutico Kelly Johnson. Projetado no começo dos Anos 60 para substituir os vulneráveis U2, essa maravilha foi construída com titânio ironicamente comprado dos russos através de empresas-laranja. Até hoje é o detentor de diversos recordes, incluindo a travessia NY-Londres, em 1 h 54 min. Voando a Mach 3,3; se disparar uma rajada de metralhadora no exato momento em que um passar por você, o Blackbird não será atingido. Ele é literalmente mais rápido que uma bala.

Os russos dispararam mais de 4.000 mísseis inutilmente, tentando derrubar o SR-71. No manual o procedimento para o caso de um radar de tiro inimigo travar e disparar contra o Blackbird era simplesmente… acelerar. Uma vez voltando de uma missão daquelas bem cabeludas, já sobre a França um Mirage III (aquela porcaria que o Brasil usava) emparelhou e exigiu “código diplomático” ou alguma bobagem assim. O piloto não tinha a menor idéia do que os franceses estavam falando, não tinha autorização para pousar nem muito menos interagir.

O Co-piloto explicou “não se preocupe, já dei o código pra ele”.

Isso significava basicamente que ele havia usado o código internacional de aviação para “fuck you”, exibindo o dedo médio. O piloto empurrou a manete até o fim, entrando em regime de “military power” e acionando o afterburner. A velocidade máxima de um Mirage III é de 2.350 km/h. O SR-71 Blackbird chega a 3.540 km/h. Faça as contas.

Talvez a característica mais curiosa do Blackbird seja seu combustível. Especialmente criado para ele, o JP-8 é bem difícil de pegar fogo, o que era excelente pois ele era usado para resfriar a fuselagem, aquecida com a fricção durante o vôo. Quando pousava o vidro da cabine estava a 300 graus Celsius. Bombas faziam o combustível circular por dentro das asas e do resto do casco, mas mesmo assim o bicho esquentava. Tanto que a dilatação do metal havia sido levada em conta. Em regime de vôo o SR-71 era várias polegadas mais comprido.

Em terra o espaço entre os painéis deixava o combustível vazar. Ele era recolhido em bacias, uma solução bem low tech.

Por isso eu não me preocupei com o vídeo abaixo.

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ATENÇÃO: como o vídeo está no câncer do Facebook não está me deixando embedar, então clique aqui para ver essa cena totalmente SURREAL, que faria Santos Dumont se cobrir de vergonha. [update: uma boa alma subiu pro youtube, veja direito aqui abaixo]

Respaw torres — Resultado do pouso com aquele “tufão” reportado… Arre égua!!!

Há duas versões para o que você acabou de ver.

Na primeira versão por causa de uma ventania o 737 fez um hard landing, que é um daqueles pousos onde Newton faz a maior parte do trabalho, e todo mundo que não acredita na utilidade do cinto de segurança toma um belo susto.

O procedimento normal é o piloto comunicar o hard landing, a aeronave ser removida para um hangar e passar por uma inspeção. Essa inspeção tem uma fase inicial, visual externa. Se algo for detectado, partem para uma inspeção mais detalhada. Um dos procedimentos é inspecionar os tanques de combustível, começando pelo central.

Esse procedimento também tem procedimentos. Pra começar o combustível é drenado antes de levar a aeronave para o hangar. Já nele você usa as bombas do avião para transferir o combustível remanescente do tanque central para as asas. Claro, sempre fica um cheirinho, que num 737 são trocentos litros, mas HEY, os engenheiros da Boeing são espertos. Há uma válvula de drenagem no tanque, parece com isso aqui:

tanque1

Essa válvula fica acionada algumas horas até todo o combustível ser sangrado. FEITO ISSO você pega uma chave, um estagiário e bota o sujeito pra remover os 4234098123 parafusos da porta de acesso do tanque, assim:

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Se você pular as etapas anteriores, vai estar debaixo de um 737 tirando os parafusos do fundo de um tanque com capacidade pra 8.755 litros de combustível.

Claro, há procedimentos pra esse tipo de cagada. Hangares devem ter sistemas de drenagem, a brigada de incêndio deve ser acionada e todo mundo deve usar roupas de proteção, luvas e máscaras, como vemos no filme, só que não.

O mais hilário desses patetas é o sujeito usando uma ferramenta altamente especializada (um cabo de vassoura) para tentar fechar o painel de acesso.


Delectable Reckless Binturong

Quanto ao tiozão fumando, está errado pois é terminantemente proibido fumar em hangares, mas não há risco de explosão iminente. O Jet A-1, combustível usado em aviação comercial de grande porte não pega fogo fácil. O que nem de longe justifica a incompetente displicência com que todos estão lidando com o vazamento.

Essa, claro, é a versão mais improvável, me recuso a acreditar que a Gol pise na bola assim. Então minha hipótese preferida é que o vazamento do JP-8 é normal, e a Gol está experimentando com tecnologia de ponta. Logo os 737s serão supersônicos e à prova de mísseis soviéticos.

Viram? É muito bom viver em negação.

Fonte: Deep Throat.

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