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O dia em que o 4Chan mostrou a Snowden como se faz

Ontem um hacker conhecido como 4 Chan (sério, escreveram isso) divulgou fotos de Jennifer Lawrence e uma centena de outras celebridades. Por incrível que pareça foi feito de forma muito mais “honesta” do que Wikileaks e Edward Snowden, que insistem em centralizar os holofotes em suas pessoas, não na informação.

5 anos atrás

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Quando o hacker conhecido como “4 Chan” vazou fotos íntimas e pessoais de Jennifer Lawrence e uma centena de outras celebridades, fez mais do que dar início ao The Fappening, o evento serviu para comprovar uma das bases da internet, sua resistência a ataques e danos externos.

Criada durante a Guerra Fria com a especificação de funcionar mesmo que grandes nós fossem destruídos por ataques nucleares, a internet é um tributo à computação distribuída, o que é excelente para preservar informação mas péssimo se queremos que essa informação desapareça. Um velho ditado diz que tirar algo da internet é como remover xixi de piscina. Possível até é, mas é um pesadelo tecnológico, custará uma fortuna e do ponto de vista da homeopatia você só estará potencializando o conteúdo removido. Efeito Streisand.

No final do último Capitão América os arquivos da SHIELD são disponibilizados na internet, para desespero de Robert Redford. É um caminho sem volta. Com as fotos vazadas ocorreu o mesmo. Sites de imagens inicialmente deixaram rolar, mas com ameaças Legais começaram a “mostrar serviço”, mas é uma briga desigual. Não há como o Imgur apagar álbuns tão rápido quanto são subidos. Milhares de pastas no Dropbox, Gdrive e OneDrive estão neste momento compartilhando as imagens.

Há torrents com coletâneas e o Mega, o serviço do nosso candidato a supervilão preferido Kim Dotcom está sendo usado de forma pesada, pois ele não moveu uma palha para apagar nada.

Esse tipo de distribuição de conteúdo é o pesadelo temido por todo mundo que levava Assange e Snowden a sério, mas não aconteceu por uma questão específica: ego. Os dois querem ser vistos como heróis, querem os louros da aprovação geral. Snowden escolheu utilizar o Guardian, um jornal tradicional para divulgar seu material. Com direito a gente viajando pra levar pendrives do Brasil para Londres. Em 2014. HELLO? Tantos anos de bravatas sobre criptografia que nem a NSA quebra e precisa de um porcaria de um motoboy?

O hacker das celebridades é um canalha, claro, o que ele fez é muito feio, mas ele teve a decência de não vender o conteúdo para o TMZ. Pediu doações, sim, mas enquanto isso disponibilizou toneladas de material. Para todo mundo. Moralmente ele é muito mais próximo dos ideais de informação livre e democrática do que Snowden e Assange, que retém informação e basicamente chantageiam os envolvidos.

Atitude bem diferente de Bradley — agora Chelsea — Manning, que diante do que achou uma injustiça, coletou toda a informação que conseguiu e enviou em lote para o Wikileaks, que então passou a divulgar pingadinho os textos comprometedores.

Que fique a lição: você acha que está fazendo o Bem, divulgando a informação? Então divulgue para todo mundo. Do contrário você só quer holofotes.

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