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Governos estão comprando ferramentas que rastreiam seu telefone em quase qualquer lugar

Governos do mundo todo estão colocando as mãos em tecnologia que podem monitorar por onde os donos de aparelhos celulares estão transitando. A indústria de vigilância e tecnologia de espionagem se tornou um mercado multibilionário. A nível mundial.

4 anos atrás

Dark Knight Echolocation

Eu poderia aqui fazer um texto alarmista, assustado, dizendo que estamos sendo vigiados e que nossa privacidade está em risco e fingir algum espanto, mas não consigo.

A gente sabe que a NSA e a agência britânica GCHQ têm usado dados de telefonia celular para encontrar alvos ao redor do mundo há algum tempo.

Sim, 1984 e toda a história do Big Brother pode ser preocupante. Principalmente pra quem usa a Internet para fins não ortodoxos. E se algum “você-sabe-com-quem-está-falando?” decidir que você está fazendo algo fora do padrão aceitável. Complicado.

Mas não podemos dizer que isso era algo que fugia completamente de nossa ciência, certo?

Vamos nos ater à tecnologia, então. A novidade é que fabricantes de equipamentos e sistemas de vigilância estão oferecendo a governos do mundo todo a habilidade de rastrear a movimentação de qualquer pessoa que esteja portando um telefone. Esteja essa pessoa a dois quarteirões de distância, esteja ela do outro lado do globo.

E como funciona isso? Esta tecnologia opera através da exploração de um fato essencial a todas as redes de telefonia celular: é preciso manter registros detalhados e com intervalos curtos de atualização (normalmente de minuto a minuto) sobre a localização do aparelho, para a entrega de mensagens, ligações e outros serviços. Veja um infográfico completo neste link.

antenas

Os sistemas de vigilância estão coletando, secretamente, estes registros, pra mapear viagens das pessoas ao longo de dias, semanas ou períodos mais longos, segundo os documentos de marketing da empresa, além de dados de especialista sem segurança.

Caso os governos optem por contratar o serviço, eles vão poder ter acesso a uma espécie de portal, digitar um número de telefone e imediatamente visualizar seu histórico, baseado neste log mantido pelas empresas de telefonia.

Ah, mas ele não fornece a coordenada GPS!

Verdade. O que é mostrado é a torre na qual o celular se conectou. Ou a triangulação de torres para revelar a área, o que aumenta a precisão para um raio de algumas centenas de metros, em ambientes urbanos, ou poucos quilômetros em lugares mais afastados, como fazendas ou estradas rurais.

Só que aí a gente lembra dos dispositivos chamados StingRays, que, quando pareados com os sistemas descritos acima, podem oferecer resultados muito mais precisos em relação ao posicionamento do alvo, além de interceptar os dados que chegam e saem do telefone.

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A FCC está investigando se os StingRays estão ou não caindo nas mãos erradas. Ainda não é certo, mas gostaria de levantar o questionamento: quem define quais mãos são as certas e quais são as erradas? 😉

Não se sabe perfeitamente quais governos já adquiriram estes sistemas de rastreamento, mas um funcionário vazou, em anonimato, que este número já passou de 20 países, no decorrer dos últimos anos.

Essa rápida propagação ressalta que a indústria de vigilância e tecnologia de espionagem se tornou um mercado multibilionário. A nível mundial.

Enquanto nós não somos alvos potenciais, como eu já disse aqui, talvez seja bacana restringir a quantidade de pessoas que sabem seu número de telefone. Isso tem potencial pra se tornar muito mais chato que as já tradicionais e irritantes ligações de telemarketing.

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Qual sua opinião sobre o assunto? Acha que quem não deve não teme? Ou que um país que utiliza alguma ferramenta de monitoramento como esta pode estar passando dos limites?

Deixe seu comentário aqui embaixo.

Fontes: Washington Post, Engadget e CBS News.


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