Califórnia não quer carrinho sem volante do Google nas ruas

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Eu consigo entender a proposta do carro autônomo do Google com uma solução muito específica para casos isolados, e não como a alternativa futura de nosso trânsito. A ideia de um veículo sem volante e pedais soa assustadora para muita gente (e é), pois imagine uma situação de acidente em que o algoritmo de Mountain View não possa responder a tempo. Ele sequer tem autonomia para isso, por ser muito lerdo.

Eu imagino esse veículo como uma opção por exemplo para quem não sabe ou não pode dirigir, mas precisa de deslocar para lugares como hospitais. Idosos, por exemplo. Você entra, manda o carro ir até o ponto x e ele faz tudo sozinho. O grande problema é que ao remover o controle do motorista (ou melhor, passageiro), em situação de emergência a única coisa que ele pode fazer é sair do carro, se der tempo. E quem possui mobilidade reduzida? Dá para confiar sua segurança inteiramente à prudência dos outros e remover da equação sua capacidade de reagir?

Google Self-Driving Car Project — A First Drive

O Google fez lobby para que o carro fosse aprovado no estado de Nevada, efetivamente escrevendo as leis que discorrem sobre carros autônomos, já que o Departamento de Veículos Motorizados (DMV) do estado contou com a empresa como consultora. Já na Califórnia as coisas não foram tão simples assim. O DMV de lá proibiu qualquer veículo que não possua volantes ou pedais de circular em suas ruas. Portanto, o Google terá que utilizar ruas privadas para testar o carro no estado.

As regras do DMV da Califórnia são categóricas: o carro deve permitir que o motorista tome o controle físico imediato do veículo quando for necessário, o que significa que ele precisa ter controles manuais. O Google então se viu num dilema: ignorar a Califórnia ou adaptar o carrinho? Como alguém dentro de Mountain View tem conhecimento de gerenciamento de crises, a empresa optou por introduzir um modelo “comum” de seu carro autônomo, com volante e pedais. Assim, ele passa a ser um carro como todos os outros, que permite ser controlado quando for preciso.

O Google diz que está tomando todos os cuidados possíveis para que seu carro seja seguro, mas como pode se ver, os reguladores são mais cuidadosos, para não dizer mais sensatos.

Fonte: WSJ.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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