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Projeto Loon, um ano depois

Google comemora um ano do Projeto Loon planejando expandir e consolidar o serviço em 2015, graças ao ótimo resultado do teste realizado no Brasil

6 anos atrás

project-loon-piaui

Nesta semana o Google comemora um ano do anúncio do Projeto Loon, seu ousado plano de levar internet de alta velocidade aos recônditos da Terra através de simples balões atmosféricos, equipados com rede Wi-Fi de modo a permitir que usuários possam acessar a internet para os mais diversos fins. Em pouco tempo o projeto avançou bastante, permitindo que Mountain View trace planos ainda mais ousados para o projeto. E acredite ou não, boa parte da culpa vem do Brasil.

Quando foi revelado, o Projeto Loon foi recebido com muito ceticismo, tendo recebido críticas até de Bill Gates, que disse que o Google deveria se concentrar em projetos sociais ao invés de conectar regiões pobres. Primeiro, o Google não é uma ONG e o Loon, apesar de representar um avanço principalmente para quem precisa de conexão em lugares remotos (escolas, hospitais, bibliotecas, pesquisadores que dependem de caríssimas conexões via satélite) também é uma forma de Mountain View fazer dinheiro: lembrem-se, o Google vive de anúncios e quanto mais gente conectada e utilizando seus serviços, melhor.

Em verdade o Loon evoluiu bastante em doze meses. Originalmente planejado para levar internet a regiões ermas em velocidades próximas às dele redes cabeadas mais lentas, hoje experimentos já provaram que ele é plenamente capaz de fornecer sinal 4G/LTE de maneira estável. Não apenas a conexão melhorou, o controle de voo e a durabilidade dos próprios balões foram multiplicadas em dez vezes. Expostos a diversas intempéries como mudanças climáticas e de temperatura, baixa pressão e detritos atmosféricos acabam por desgastar o material, ele originalmente só resistia poucos dias, o que torna a operação do Loon bem custosa. Hoje a meta é conseguir estacionar 100 balões em uma região por 100 dias e chegar a 400 balões em uma região de forma a manter uma conexão estável e constante, algo possível já que alguns balões conseguiram se manter no ar por longos períodos de tempo. Um deles, chamado Ibis-162 (eles recebem nomes de aves) circundou a Terra três vezes em 22 dias antes de cair, estabelecendo um novo recorde mundial. Já o Ibis-152 está no ar há mais de 100 dias.

ibis-152

Falemos agora do Brasil. O teste realizado no estado do Piauí conectar a Escola Municipal Linoca Gayoso Castelo Branco, localizada na pequena comunidade de Água Fria, na zona rural da cidade de Campo Maior, a 84 km da capital Teresina. A importância do experimento se dá porque o Google mudou neste caso a forma de se conectar com o balão: a antena ainda foi instalada normalmente nas dependências da escola, mas ao utilizar um espectro comum da rede 4G/LTE em conjunto com a transmissão Wi-Fi, smartphones e tablets em Terra puderam se conectar diretamente. Além disso, utilizando o LTE a velocidade de conexão saltou da média de 2 a 4 Mb/s para até dez vezes mais.

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Os resultados começam a aparecer agora: não só a equipe do Loon está crescendo como empresas começam a ver no projeto uma nova forma de alinhar a iniciativa do Google com seus serviços, onde ganham ambos: com mais gente acessando serviços como Gmail, Google Docs, Chrome e etc, mais dados serão coletados e essas empresas terão acesso a clientes em potencial até então presos no vácuo da exclusão digital. Novamente, o Google não o faz por caridade, mas o Loon vai ajudar muita gente e esse é um preço pequeno. Pense em quantos anos o projeto dos moinhos de ventos de William Kamkwamba poderia ter sido adiantado, caso a biblioteca em que ele estudava nos cafundós da Terra chamado Malaui tivesse internet.

Enfim, o Google tem grandes planos para o Projeto Loon e considerando o tanto que o projeto evoluiu em apenas um ano, podemos esperar boas notícias nos próximos a vir. Acesso a internet deveria ser um direito de todos, pois quando bem utilizada ela oferece a mais poderosa ferramenta que existe: conhecimento. E isso não tem preço.

Fonte: W.

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