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Governo chinês revela lista de patentes do Android possuídas pela Microsoft

Segundo o governo chinês, Microsoft possui 200 das 310 patentes necessárias para se produzir um smartphone Android

5 anos atrás

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A gente sabe, patentes são uma dor de cabeça geral para todos os envolvidos. Elas servem essencialmente para duas coisas: um deles é proteger a empresa em caso de litígio, se ela for processada pelo uso da tecnologia ou como contra-ataque, caso uma briga entre um concorrente por tecnologia x o leve a contra-atacar com uma patente y. Isso causa uma verdadeira Guerra Fria entre companhias, Microsoft, Sony, Apple, todas possuem patentes umas voltadas contra as outras mas ninguém faz nada, a não ser darem as mãos e fecharem acordos de não-agressão e em muitas vezes, fecharem parcerias.

O segundo uso para as patentes é o mais óbvio: dinheiro. Clamar o direito sobre uma tecnologia rende gordos dividendos e a Microsoft é uma das maiores detentoras de patentes do mundo. Pior para o Google, que dormiu no ponto e desdenhou das patentes até ser tarde demais: já sabíamos que cada Android fabricado rende uns bons trocados à Redmond, e agora temos uma visualização mais precisa desse cenário.

O governo chinês conduziu uma investigação acerca da aquisição da Nokia pela Microsoft, a fim de analisar se a absorção da empresa finlandesa não infringia as leia antitruste locais. Através da análise de patentes adquiridas na aquisição, outras tecnologia desenvolvidas pela empresa e ainda outras patentes que ela possui acesso através do Consórcio Rockstar, originado da compra do espólio da finada Nortel em conjunto com Apple, BlackBerry, Sony e Ericsson revelam números impressionantes: segundo as informações divulgadas em um site chinês, Redmond possui 200 das 310 patentes necessárias para se produzir um smartphones Android, o que se reverte em lucro de US$ 1-2 bilhões de dólares por ano à Microsoft.

Isso não diz respeito apenas ao software, mas hardware também: em 2013 cerca de 50% das fabricantes de Androids pagavam licenças à Redmond incluindo LG, Samsung e HTC, e acredita-se que hoje este número já esteja em 70%. A adição da Foxconn ao rol de pagantes estende a mordida da Microsoft a quaisquer dispositivos com sistemas Android e Chrome OS, tais como Chromebooks, smartphones, tablets e etc.

A situação do Google e parceiros é curiosa. Mountain View se recusou a entrar no consórcio do leilão da Nortel por querer as patentes para si somente, e depois de ser derrotada por oferecer US$ 100 milhões a menos botou a boca no trombone, para ser solenemente chamada de moleque. Conclusão: o Consórcio Rockstar processou Google e fabricantes (com exceção da Sony, protegida pelas patentes) por uso de tecnologias registradas pelas 6 mil patentes que a Nortel possuía, indo desde hardware e software Android ao motor de busca do Google, que responde por mais 90% de seu capital bruto. Mountain View por sua vez processou o grupo de volta, botando a culpa na Apple e sua sanha de destruir o robozinho, objetivo de Steve Jobs que foi herdado por Tim Cook e cia.

Hoje, tanto o Google quanto fabricantes de Android são obrigados a pagar altas taxas de licenciamento à Microsoft, que por sua vez ignora todos os pedidos para reduzir as mesmas. Motivo? As patentes são essenciais para se produzir um smartphone do robozinho e Redmond sabe disso, levando ao velho “se não aguenta o calor, saia da cozinha”. Vendo por esse lado, é compreensível o movimento da Samsung em brincar com o Tizen em smartwatches, smartphones e TVs, a Amazon com o Kindle OS e empresas chinesas abraçarem forks próprios: fugir da licença.

Particularmaente não vejo esse cenário mudando tão cedo. Apesar da Apple desejar que o Android seja de fato destruído, a Microsoft ganha muito dinheiro com ele e pode convencer Cupertino a fazer o mesmo. Já o Google e fabricantes estão sem alternativas, pois a quantidade de patentes apontadas contra eles é muito grande e não há como contra-atacar. Já a Microsoft, que lucra tanto ou mais com o Android do que com o Windows Phone conta a grana e agradece.

Para analisar as patentes, clique aqui.

Fonte: Ars Technica.

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