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Vodafone expõe a verdade sobre vigilância governamental

Vodafone divulga documento em que confirma submeter dados de seus usuários em alguns dos países em que atua a agências governamentais

5 anos atrás

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Já se passou um ano desde que o ex-técnico da CIA e hoje "menino da informática" do Kremlin Edward Snowden liberou os primeiros vazamentos sobre o monitoramento pesado que a agência norte-americana realiza, graças a informações oferecidas voluntariamente por empresas através do acordo PRISM. De lá para cá já vimos de tudo, com quase que a totalidade das empresas envolvidas tirando o seu da reta.

Só que agora a operadora britânica Vodafone resolveu quebrar o sigilo, confirmando que agências governamentais de fato interceptam dados de seus clientes através de acordos pré-estabelecidos.

A publicação de seu documento oficial faz referência a alguns dos 29 países em que ela opera, sabiamente sem dar nome aos bois. Basicamente a Vodafone intercepta dados de seus usuários conforme acordos e/ou solicitações específicas dos órgãos de segurança. Alguns dos países em que ela atua são Austrália, Quênia, Ilhas Fiji, boa parte dos países da Europa e nos Estados Unidos, Chile e Brasil através de parceiros. O modo que ela intercepta os seus clientes possui duas abordagens: invasão direta ou coleta massiva de dados, tais como número do telefone, endereço, número e duração de chamadas, contatos e etc. A Vodafone informa que inclusive rastreia o aparelho celular em tempo real para determinar a posição do usuário, dependendo dos acordos e solicitações dos órgãos governamentais.

Não para por aí: segundo o Guardian, em pelo menos seis países em que ela atua as empresas são obrigadas via legislação a ceder os dados, do contrário não poderão instalar seus serviços. Como já mencionado a operadora não divulgou quais em países isso ocorre por temer retaliação e processos legais, mas o Guardian divulgou uma lista de países com o número de solicitações feitas em 2013:

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Por fim, através desses acordos ou por ordem do governo, a coleta em massa não possui garantias e as agências não precisam dar satisfação às operadoras sobre o que estão coletando: basicamente a Vodafone fornece a infraestrutura, mas desconhece que informações estão sendo coletadas; e as agências não precisam e não dão satisfações sobre o que estão fazendo. Segundo testemunhas que relataram o procedimento ao Guardian, o equipamento de coleta fica trancado o tempo todo nos datacenters e os funcionários que podem ou não ser contratados pela operadora são proibidos de comentar qualquer coisa sobre seu trabalho. É como se houvesse um ponto cego dentro de cada operadora nesses países, em que elas não exercem controle e sequer possuem acesso.

Claro, como a Vodafone mesmo declara no documento, "recusar-se a cumprir as leis de determinados países não é uma opção", entretanto não se instalar nos mesmos é. Claro, em prol de ampliar seus negócios e conseguir mais clientes as operadoras aceitam essa negociação escusa, utilizando o consumidor como moeda de troca. De qualquer forma, embora saibamos que ninguém está 100% livre de vigilância governamental (seja do seu próprio ou de outros), esse assunto ainda vai render muito.

Fonte: VF.

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