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Não acredite em sensacionalismo: a Rússia NÃO vai expulsar os EUA da ISS.

Por algum motivo a mídia brasileira E a internacional estão repassando uma bobagem, anunciando que os EUA foram EXPULSOS da Estação Espacial Internacional pelos russos. Todo mundo imagina a Sandra Bullock, mas acredite, a história é bem mais simples e bem menos dramática. Leia e entenda.

5 anos atrás

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O barraco na Ucrânia trouxe à tona não só movimentos separatistas como o antiamericanismo histérico do brasileiro. Ontem as interwebs ficaram lotadas de gente comemorando, clicando LIKE enquanto se masturbava furiosamente lendo a notícia de que os russos iriam BANIR os EUA da Estação Espacial Internacional.

Leia de novo: Estação. Espacial. INTERNACIONAL.

Eu sei, caro amigo pseudo-socialista, que os soviéticos eram a fonte de tudo que é bom e puro, mas a ISS é um esforço conjunto de vários países.

A ISS teve dois pais: A Estação Espacial Freedom e a MIR 2. A Freedom foi uma proposta de Ronald Reagan, anunciada em 1984. Um projeto para mostrar aos comunistas quem manda, uma ambiciosa estação orbital, bla bla bla. Que custaria uma fortuna. Reagan tentou vender o peixe para Margareth Tatcher, que polidamente, mandou-o catar coquinhos.

A MIR 2 deveria substituir a MIR original, destruída em Armageddon mas mesmo no papel desde 1976, os vermelhos perceberam que o projeto afetaria o verde, e por mais que capitalistas e comunistas sejam diferentes, seu órgão mais sensível ainda é o bolso.

A solução para manter as aparências foi… cooperação internacional. Os dois lados toparam unir os projetos, e Bill Clinton anunciou em 1993 que construiriam a Estação Espacial Internacional. Depois anunciou que não fez sexo com a fofinha mas isso é outra história.

Mesmo assim a ISS teve suas dimensões e número de módulos reduzidos. Parceiros como o Japão e a União Européia foram adicionados, e conseguiram bancar o brinquedo, que em 2010 havia consumido US$ 150 bilhões. Estima-se que o custo homem/dia na ISS seja de US$ 7,5 milhões.

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Em vermelho, os módulos soviéticos. Em amarelo os americanos, em azul o canadense, verde Europa, roxo Itália, lilás Japão, e em bege como você não vê, o brasileiro.

A ISS consome boa parte do orçamento dos EUA e uma imensa fatia da verba dos russos, que no final dos Anos 80 chegaram a vender espaço em publicidade nas paredes de seu Centro Espacial, alugar vagas para turistas e hoje cobram da NASA US$ 60 milhões cada vez que dão carona a um astronauta americano.

Manter a estação é um esforço enorme para um país com PIB menor que o do Brasil.

A vida útil da Estação originalmente ia até… 2015. Depois de muito bater cabeça, chegaram a uma data de 2020, quando acabariam as verbas. Eis que Barack Obama meteu a mão no bolso, vendo que o projeto lunar de Bush não sairia do papel, e negociou a manutenção do projeto até 2024.

Esse é o número mágico. Por causa do arranca-rabo na Ucrânia, e querendo seu status de superpotência de volta (e economizar uns trocados) a Rússia anunciou, semi-oficialmente que não vai mais respeitar a data de 2024, mantendo o acordo antigo de bancar sua parte na ISS até 2020.

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Isso significa, teoricamente que depois disso não fornecerão mais módulos, componentes de reposição, missões de reabastecimento, telemetria e vodca. Não significa que estão expulsando ninguém e ficando com a estação. Não significa que possuem mais direito sobre a ISS que os EUA.

A Rússia é o colega que dividia apartamento e avisou que vai se mudar.

Claro, na prática isso significa o fim da ISS, que segundo alguns especialistas dura até 2030 e os EUA estavam planejando agora manter até 2028, sendo que não há NADA em planos para substitui-la.

A imprensa internacional obviamente não liga para essas sutilezas, está fazendo a festa anunciando expulsão dos EUA, fim da ISS sexta-feira se não chover, e por aí vai. Na prática, na improvável possibilidade desse clima de Guerra Fria se manter, faço uma previsão: os russos, que gostam de dinheiro como qualquer um, vão VENDER aos EUA a tecnologia de manutenção da ISS, como já vendem vôos de carga e tripulação.

A Presidente Chelsea vai ter que se virar, nos US$ 100 bilhões estimados que a ISS custará até 2028, e Putin terá uma fonte de renda excelente para comprar mais brinquedos que fazem cabum.

De resto, o único país realmente banido da ISS foi… o Brasil. Por falta de pagamento. Calote mesmo. Essa VERGONHOSA história foi muito bem descrita em um artigo do Pedro Burgos para o Gizmodo Brasil, que inexplicavelmente depois que ele saiu de lá REMOVEU A AUTORIA DO TEXTO.

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