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Ucrânia with… Lasers!

A quase-guerra na Ucrânia está sendo travada com lasers. Assim como na Praça Tahir no Egito, os manifestantes descobriram que lasers são inimigos de drones. Pior, os russos parece que também sabem disso. Agora já conseguiram até em filme um russo fazendo pewpewpew. Onde isso vai parar?

5 anos atrás

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Uma das regras mais básicas da tecnologia é que ela se barateia, se populariza. Quando montei meu primeiro PC comprei 4 MB de RAM, cada MB custou US$ 60,00. Hoje 4 GB, uma ordem de magnitude maior, custa R$ 100,00. Mais de mil vezes mais barato, mesmo descontando detalhes como aumento de velocidade, consumo, etc.

75 anos atrás se eu chegasse em Bletchley Park com um TK-90X seria recebido como um deus, expulsariam Alan Turing e me colocariam como líder do projeto, eu ganharia as honras, os títulos, o salário e até o harém dele, o que pensando bem talvez não fosse uma boa opção.

Lasers idem. Hoje a gente compra por qualquer 5 merréu um laser de camelô. Nos Anos 60 renderam um prêmio Nobel. E isso é ruim. Para alguns. Tecnologias como criptografia pesada, comunicações globais e microcontroladores tornam complicada a vida de quem é forçado a usar equipamentos obsoletos. Por muito tempo os Apples II levados em navios militares eram superiores aos computadores dedicados nas embarcações.

A imagem de abertura deste texto por exemplo é o sonho melado de um militar nos Anos 60, um helicóptero inimigo (no caso, egípcio, sobrevoando a Praça Tahir) sendo alvejado por contramedidas que o inutilizam como arma de combate. O piloto está tendo um belo trabalho de desviar o olhar dos lasers dos manifestantes, e todos os sensores estão virtualmente cegos. Dependendo da intensidade do laser podem até ser danificados permanentemente.

A beleza disso tudo é que essa tecnologia de defesa não foi comprada da KGB, da DARPA ou da HYDRA, mas da Deal Extreme.

Agora na Ucrânia os manifestantes estão começando a usar lasers também.

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Na imagem acima, retirada deste vídeo um manifestante solitário mira um laser em um drone da agência de notícias russa, aquela que diz que não há tropas na Ucrânia. O piloto acaba tendo que mudar repetidas vezes de posição. Se fossem 10, 50 pessoas o trabalho do drone seria inviável.

O inimigo também usa essa incrível tecnologia. Alguns dias atrás a Ucrânia mandou um avião de reconhecimento Diamond DA42 sobrevoar posições russas na Crimeia. O bichinho era este aqui:

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Como dá pra perceber a plataforma não é algo que sobreviva em uma guerra de verdade, mas ainda não chegamos lá, então podem ser usados meios mais suaves de dissuasão, em uma espécie de Guerra Carinhosa da Dilma. Foi o que um soldado russo fez. Quando percebeu a aproximação do avião, pegou um laser e mirou no inimigo, deixando bem claro que eles foram identificados e que só não foram derrubados por obra e graça de nosso senhor Vladmir Putin, veja:

Agora a melhor parte: comprovando mais uma vez que jornalistas não entendem nada de tecnologia, a Sky News nesta incrível reportagem aqui fala que o soldado russo pegou um “dispositivo emissor de luz(tecnicamente correto, mas hello, laser?) e que “segundo autoridades ucranianas” os flashes vistos são disparos. Com certeza, se o sujeito fez “pew pew pew”, pois além de não estar segurando nada além de um laser comum, os flashes são claramente o laser acertando diretamente o sensor CCD da câmera.

Algo que eu aposto com quem quiser que logo surgirá nessa corrida armamentista informal, entre manifestantes e Forças Superiores é um dispositivo utilizando um Arduino que detecte um objeto no ar, o rastreie e mantenha um laser apontado para ele. É algo muito simples de ser projetado, pequeno, portátil e dezenas, talvez centenas espalhadas em uma área de confronto tornariam inútil qualquer tipo de drone de baixa altitude, além de oferecer um risco para a navegação aérea grande o suficiente para inviabilizar helicópteros na região.

Quem viver, verá. Você não, Ucrânia.

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