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A GUERRA DA UCRÂNIA JÁ COMEÇOU! (em termos, claro)

A má notícia é que a guerra na Ucrânia começou. A boa é que por enquanto está basicamente restrita a gente xingando muito no Twitter e a script kiddies fazendo ataques DDoS tirando do ar sites contra e a favor. Só não ache que vai ficar nisso. Mesmo que nem um tiro seja disparado, a Guerra Eletrônica é inevitável, e se você acha que enfrentar o exército russo já é covardia, imagine bater de frente com os hackers deles.

5 anos atrás

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Hoje apareceu no Tubo um vídeo de uma coluna de BM-27s Uragans, um sistema lançador de foguetes guidados descendentes do venerável Katyusha, que tanto trabalho deu pra Hitler e parente do Astros-II, excelente MLRS produzido pela Avibrás e vendido com sucesso para vários países. Na 1ª Guerra do Golfo foi usado pelos dois lados. Mas somos um povo pacífico, claro.

O comboio provavelmente era do 27º Regimento de Artilharia Reativa, com base em Sumy, nordeste da Ucrânia. Para onde estão indo? Ninguém sabe. A única certeza é que nesse jogo de xadrez de bêbados, no escuro, com peças de gilete, algo vai acontecer. Por outro lado, já está acontecendo. Na internet.

Segundo relatos houve um aumento significativo nos ataques “hacker” e DDoS tanto a sites ucranianos quanto a sites russos. A própria Russia Today, a Fox News do Putin, que até agora chama as tropas russas na Criméia de “forças não-identificadas de auto-defesa” teve seus servidores invadidos e as manchetes adulteradas para fazer referência ao Nacional-Socialismo:

russia-today

A “glória” está sendo dividida entre ativistas sinceros, hackers do mal, agências governamentais e gente que só quer ver o mundo pegar fogo. Entrou outros feitos, tiraram do ar por dois dias os celulares dos membros do Parlamento Ucraniano.

Mesmo assim não dá pra chamar de Cyberwarfare, guerra eletrônica, etc. Em essência são pichações digitais. Existe uma enorme diferença entre entrar na sede da CIA para roubar arquivos, e adulterar um website. Esses ataques não são uma invasão do prédio, são apenas alguém desenhando chifrinhos na foto do Obama em um cartaz na parede da rua.

Existe sim um componente estratégico nesses ataques. Eles minam a capacidade do país em informar seus cidadãos. Sem o Russia Today por exemplo nunca saberíamos que o navio de guerra descomissionado russo que foi afundado na entrada de uma base ucraniana, prendendo os navios lá dentro foi apenas uma… coincidência.

Mesmo assim a verdadeira e-guerra está acontecendo nos bastidores. Não é vandalizando sites, mas com estratégias bem mais sutis e funcionais, como por exemplo invadir direito as operadoras de telefonia e fazer datamining com as informações de geolocalização dos celulares dos soldados. Dependendo da disciplina nas unidades, e na quantidade de gente que vai desobedecer ordens de desligar os celulares, é possível montar um mapa de movimentação de tropas.

Junte a isso um banco de dados de figurões do Governo Ucraniano e você consegue saber quando de reúnem, aonde e se estão fazendo planos para sair do país. Isso tudo sem ler uma mensagem, só com dados de A-GPS.

Os russos possuem alguns dos melhores hackers do mundo em seu submundo, é razoável imaginar que alguns acabem trabalhando para o Governo. Assim como a real, a guerra digital será desproporcional ao ponto de ser covardia, se existisse esse conceito em guerras. A Ucrânia corre o risco de ter sua infraestrutura aleijada por ataques russos, com o país parando nos trilhos sem que seja preciso soltar uma bomba sequer.

Ironicamente a grande proteção da Ucrânia pode ser a baixa automação e a dependência de sistemas jurássicos soviéticos. Veja por exemplo a 204ª Brigada de Aviação Tática da Força Aérea Ucraniana em Belbek, capturada pelos russos ou desertora, dependendo da fonte.

São 45 MIGs-29. Desses apenas 4 tem condições de vôo, vários aviões estão assim:

tarusso2

Isso mesmo. Um trabalho de porco, pintaram o brasão da Ucrânia por cima da estrela soviética, sendo que a União Soviética deixou de existir em 1991. São 23 anos e não tiveram a decência de dar uma lixada, passar um zarcão e dar uma demão de tinta no possante.

Um país assim dificilmente terá uma infraestrutura tecnológica altamente hackeável, mas o pouco que existir, já era, está na mão do Ivan.

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