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Acionistas da Microsoft querem que Nadella foque o mercado corporativo

Investidores da Microsoft preferem focar negócios da empresa no ramo corporativo e podem pressionar CEO Satya Nadella a abrir mão do mercado consumidor

6 anos atrás

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Há alguns meses atrás, quando informes de que caso fosse escolhido como CEO da Microsoft Stephen Elop poderia dar cabo tanto do Bing quanto da linha Xbox pipocaram muita gente chiou. Apesar do motor de busca da Microsoft não estar no nível do Google não é como se os desenvolvedores não fossem capazes de fazer coisas incríveis com ele. Já a linha de consoles de videogame, que acabou de cometer o Xbox One pode não estar dando lucro agora (como em todo início de geração independente da fabricante), mas uma empresa sem nenhuma tradição no mercado de videogames dividí-lo hoje com a Sony e ambas deixarem a Nintendo comendo poeira é algo digno de nota.

Só que o tempo passou, Satya Nadella assumiu o cargo e muitos de nós acreditam que a Microsoft encontrou seu rumo. Só que infelizmente toda empresa tem um conselho e acionistas para prestar contas, e apesar de Bill Gates e Steve Ballmer ainda estarem por perto e mais próximos à Nadella (Gates inclusive atuará como conselheiro de tecnologia, guiando o novo CEO onde ele não tem tanta experiência como o mercado retail), boa parte dos conselheiros e investidores pensam como Elop e chegam a ser ainda mais radicais: para eles a Microsoft deve não só abrir mão de Xbox, Bing e da linha Surface (que sob seu ponto de vista só dão prejuízo) como se focar exclusivamente em software para o mercado corporativo, já que o mercado de PCs só encolhe e a tendência é piorar.

Nos últimos anos os negócios da Microsoft de fato sofreram redução: em 2011 Redmond teve lucro de 12,3 bilhões de dólares. Em 2012 esse valor caiu para US$ 11,6 bilhões e no último ano US$ 9,5 bilhões, onde parte da culpa foi o alto investimento no Xbox One e o prejuízo de US$ 900 milhões causado pelo Surface RT. A divisão de serviços online reportou perdas de US$ 1,3 bilhão em 2013. Para os acionistas (entre eles o co-fundador da Microsoft Paul Allen) e membros do conselho, esses produtos não são essenciais e estão fazendo a Microsoft sangrar sem controle. Na visão deles concentrar-se exclusivamente em softwares para o mercado corporativo manteria a empresa lucrativa, já que é onde ela ainda é forte. Além disso também é desejo dos acionistas desamarrar o Office da plataforma PC, tornando-o flexível e presente em outros sistemas (leia-se Mac, iOS e Android) de forma definitiva.

O grande problema que Nadella vai enfrentar é que boa parte do conselho, principalmente Mason Morfit, presidente da empresa de investimentos ValueAct Capital apoiam essa visão. Morfit inclusive teria sido um dos pivôs da saída de Ballmer do cargo de CEO, junto com o atual chairman John W. Thompson. Só que Ballmer também faz parte do conselho tanto quanto Gates, que em outra ocasião também já enfrentou acionistas que não queriam que ele permanecesse no quadro de diretores. A verdade é que o conselho virou um ambiente cáustico, com dois ex-CEOs que acreditam na missão da Microsoft de ser uma empresa de dispositivos e serviços e à quem Nadella deve muito, e outros diretores que assumem a visão puramente dos acionistas de aumentar os lucros e cortar o que dá prejuízo, mesmo sendo divisões de sucesso.

No fim Nadella está entre a cruz e a espada: ele não tem como dizer a Gates e Ballmer que tudo o que eles fizeram até hoje estava errado, mas também não pode ignorar a vontade dos principais acionistas de Redmond. O atual CEO tem um belo abacaxi para descascar e embora eu não acredite que o Xbox, o Surface e o Bing sejam vendidos de uma hora para outra, na atual situação em que a Microsoft se encontra literalmente qualquer coisa pode acontecer.

Fonte: WP.

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