O Verme-Frankenstein está vivo afinal?

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O OpenWorm é um projeto OpenSource extremamente bem-sucedido, talvez por não querer destruir o Windows. Seu objetivo é bem mais simples e viável: criar vida.

Mais especificamente o Caenorhabditis elegansum nematóide de 1 mm de comprimento, que está entre as formas de vida multicelulares mais primitivas e simples, só perde para comentaristas de portais de notícias. Com apenas mil células, o c. elegans consegue viver, comer, se reproduzir, interagir com o meio ambiente e xingar o PT e a Rede Globo nos comentários do G1.

A proposta do OpenWorm é simular cada uma das células do bichinho, agrupá-las e ver como ele se comporta. Isso está sendo feito com engenharia reversa, décadas de pesquisas estão sendo usadas para determinar os parâmetros de funcionamento das células, em detalhes como posicionamento de sinapses e canais iônicos dos neurônios. Aqui uma introdução ao c. elegans:

Com um sistema nervoso composto de menos de 400 células, é um modelo perfeito para simulação: complexo o bastante para interagir com o meio-ambiente, e simples o suficiente para não explodir um supercomputador que tente simulá-lo. Agora estão tentando simular resposta muscular. Por enquanto o verme se movimenta, mas não reage a estímulos externos.

No vídeo abaixo os primeiros testes de locomoção. Note, não é CGI no sentido de “simular o movimento”, o que você vê é resultado dos neurônios e fibras musculares interagindo entre si. A movimentação em tempo real tem apenas 0,265 s; mas levou 47 h pra ser calculada, em um Quad Core.

O projeto aceita colaborações de todos os tipos, e como todo bom OpenSource, você é bem-vindo pra baixar os fontes, inclusive do Geppetto, framework de simulações celulares desenvolvido para o OpenWorm. E, como todo bom OpenSource, por enquanto o filé, o verme em si, ainda não está liberado para download.

As implicações desse tipo de projeto são imensas. Imagine que ao invés de uma minhoca transparente comedora de bactérias, você simule os 250 mil neurônios de uma formiga, programa isso em um robô minerador e deixe-o cavar atrás de Ouro. Dada a Lei de Moore, logo 1 milhão de neurônios, o cérebro de uma barata, poderá ser simulado, então quando estiver soterrado depois de um terremoto, não pise no robozinho de antenas que apareceu curioso em uma fresta na parede.

Quanto ao OpenWorm, já tem gente se adiantando, questionando se ele está vivo ou não. O bom-senso diz que é bobagem, afinal não passa de um software simulando um conjunto de neurônios e células musculares. Não pode estar vivo. Mas… e daqui a uns 10 ou 15 anos, quando um projeto global utilizar boa parte da internet para simular um cérebro humano, e ele perguntar se está vivo. Você vai ter coragem de dizer que não?

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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