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Netflix confirma: adoramos ver séries no atacado

Algo que talvez nem o Boni entenda: nós adoramos assistir séries no atacado, e uma pesquisa da Netflix comprovou. 61% dos usuários de streaming assistem entre 2 e 6 episódios de uma vez. Isso é excelente para eles, pois a TV convencional não consegue suprir, e para nós, que devoramos temporadas inteiras de nossas séries favoritas.

6 anos atrás

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Na Idade das Trevas, pouco depois da invenção da Máquina a Vapor, no finalzinho dos Anos 80 começo dos 90, não havia ainda o conceito de seriados de TV em locadoras. Também não havia TV a cabo. A única fonte de séries era a TV aberta, por isso achamos que Tom Sawyer era tema de McGyver, pulamos uma temporada inteira de SeaQuest e fomos enrolados com Manimal, que só teve 8 episódios produzidos.

Para abastecer hábitos de Star Trek, inclusive de séries que não passavam aqui, dependia de um “fornecedor”, indicado por amigo de amigo, que vendia cópias de 5ª ou 6ª geração, de episódios em VHS gravados da TV americana. Era pedreira, acreditem. Só que compensava o esforço, pois eu chegava em casa com uma bolsa de viagem com 20, às vezes 30 fitas, gravadas em 4 h, e virava madrugadas assistindo.

Hoje percebi que continuo fazendo a mesma coisa, seja com Top Gear, seja com House of Cards, que assisti de uma sentada (ui!) só.

E não estou só.

Uma pesquisa da Netflix com 1.500 espectadores de streaming revelou que 61% deles assistem entre 2 e 6 episódios de uma série, de uma vez. Isso deve fazer a cabeça de um executivo tradicional de TV explodir, pois vai contra tudo que eles aprenderam. Se bem que o modelo da Netflix é tudo que a TV convencional não é.

Pra começar, não prende o espectador no canal por meses, você assiste aos episódios quando quiser, onde quiser.

Não tem comerciais.

Não tem “horário nobre”.

Não tem estimativa de audiência. Tem valores reais, precisos e realistas, o que é péssimo pra quem vende suas séries com expectativas irreais.

À princípio a idéia de disponibilizar todos os episódios de uma temporada de uma só vez parece contraproducente, afinal a gente assinaria por um mês, veria a série toda e cancelaria no mês seguinte, mas na prática além disso criar uma imagem super-positiva do serviço, serve como uma enorme vitrine. Em algum momento você vai cansar e procurar algo diferente pra ver. Se for outra série, pronto, já está grudado de novo. O truque é manter sempre um acervo maior do que o usuário consegue assistir.

A TV está tentando se adaptar, os Agentes da SHIELD passa terça nos EUA e quinta no Brasil, isso é incrível pra quem estava acostumado com séries que só vinham pra cá depois de anos, ou eram novelas remontadas como seriados, tipo Dallas, mas isso é muito pouco, muito tarde.

Uma exceção é o spin-off de Breaking Bad, Better Call Saul. A série será exibida na Netflix em episódios semanais, logo após a exibição na TV, mas há um motivo: a produção é da Sony e será exibida no AMC. O melhor que a Netflix conseguiu, e já foi muito, foi adquirir os direitos de exibição para Europa e América Latina. Ou seja: deram uma rasteira nos canais convencionais daqui.

Eles até tentaram dar uma de João-sem-braço mas o AMC sabia muito bem que se liberasse os episódios todos de uma vez para a Netflix, no dia seguinte eles apareceriam na locadora do Paulo Coelho, cortesia dos usuários.

O mais legal é que como todo mundo está acostumado com o conceito de assistir séries pingado, ninguém culpará a Netflix, que faturará mais assinantes, mais grana e produzirá novos episódios de séries injustamente mortas antes do tempo, como Enterprise Firefly, OUVIU NETFLIX?

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