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Quando uma obra satírica é surrupiada pelo alvo a coisa deixa de ser engraçada

National Liberty Foundation, grupo de extrema-direita utiliza arte de BioShock Infinite criada para criticar preconceitos como propaganda de suas ideias

6 anos atrás

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Se há uma coisa um tanto complicada de falar a respeito dos direitos dos norte-americanos é o à liberdade de expressão. Diferente de muitos países (como o Brasil, inclusive), nos EUA o cidadão tem o direito de expressar suas opiniões, independente de quais sejam. Claro que isso é uma boa coisa mas essa navalha corta dos dois lados, por lá as mais absurdas manifestações de ódio são permitidas e asseguradas pela constituição. Vide a Ku Klux Klan, que é uma instituição legítima.

Outro grupinho com um discurso extremo é o National Liberty Federation, uma associação sediada na Flórida e em sua maioria formada por conservadores, em geral aliados ao grupo de extrema-direita conhecido como Tea Party. Sua página no Facebook é um desfile de discursos preconceituosos de todo o tipo, do pior tipo possível. Como a constituição norte-americana protege o direito de se expressar, tudo isso passa.

Nisso passamos para o game BioShock Infinite, título da 2K em que Ken Levine usou seu lápis ferino para criticar o excepcionalismo americano, um sentimento comum do fim do século XIX que pregava que os Estados Unidos eram "um país diferente" e portanto superior, que deveria guiar o resto do mundo. Sem contar que Columbia é uma cidade extremamente racista e jingoísta, e sob a visão dos fundadores os imigrantes devem ser combatidos. Uma crítica, uma sátira, até o momento em que o grupo se apropria da imagem que abre o post e toma a mensagem como uma interpretação artística de suas crenças.

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Desnecessário dizer que desde que foi postada ontem, a imagem recebeu o escárnio de diversas pessoas de fora, mas como eu fui um imbecil e contrariei a regra de ouro de NUNCA ler os comentários, constatei que vários membros do grupo, mesmo sabendo que trata-se de uma crítica a seus valores tomaram a imagem como... válida. Para essas pessoas a representação caricata que o artista concebeu os representantes de diversas etnias ameaçados por George Washington reflete exatamente o modo de pensar deles, onde muitos são contra o programa de conceder visto a imigrantes e o plano de saúde pública de Barack Obama; além disso o Tea Party prega a interpretação inicial da Constituição, de "uma América para os americanos".

É um caso curioso onde uma obra que deveria ser utilizada como base para criticar um grupo com um discurso de ódio acaba se tornando mais material para o mesmo grupo. Eu sinceramente não sei se eu rio da idiotice do grupo ou se faço um Facepalm pelo fato de que para eles, a obra corresponde com seus princípios.

Fonte: Kotaku.

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