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Depois da Índia e da China é a vez do Brasil no Espaço (mas não se anime)

Dentro de algumas horas o Brasil (quer dizer, a China) vai lançar o CBERS-3, um satélite de sensoreamento remoto, para cobrir a hiato de quase 4 anos que passamos sem NENHUM satélite próprio. Mesmo assim não é algo a se comemorar, dados os tropeços no projeto. Clique, leia e veja como nossa vocação é mais Miss BumBum do que Pequeno Passo Para a Humanidade…

6 anos atrás

Programa_Espacial_Brasileiro

A gente aprende na escola que o Brasil é um país de dimensões continentais, com mais de 8 milhões de km² de área, bla bla bla. Aprendemos da dificuldade de levar informação aos mais distantes rincões do país, e como é complicado monitorar todo esse espaço. Aí, na aula de ciências, com aqueles livros obsoletos, afinal as pedagogas só querem formar jovens comunistas então privilegiam livros de História Revisionista e não Física Capitalista, aprendemos que no futuro usaremos satélites artificiais para esse monitoramento.

Satélites são excelentes para isso, servem para previsão do tempo, identificação de áreas de desmatamento, monitoram saúde das colheitas, fluxos migratórios de andorinhas (européias, as africanas não são migratórias). Satélites são estratégicos, por isso a Índia não pensa só em Marte, eles tem nada menos que 72 satélites desenvolvidos, começando em 1975. Isso mesmo. Enquanto George Lucas ainda imaginava escrever Star Wars, a Índia tentava lançar um satélite.

Já o Brasil, bem… temos 5 satélites de coleta de dados e sensoreamento remoto desenvolvidos nacionalmente. Claro, por desenvolvido nacionalmente entenda 75% China, o resto Brasil. Desses 5 satélites, o total que permanece funcionando nos últimos 3 anos e meio é de… zero.

Isso mesmo. O INPE tem que comprar da gringa imagens de satélites comerciais, pois não temos NADA em órbita com a nossa bandeira, para tirar fotos de queimadas, identificar aterros ilegais e tentar achar o Acre. O último satélite da categoria, o CBERS-2B foi lançado em 2007, mas em 2010 sofreu uma falha de energia e MÓ-RREU. Bateu as botas, foi encontrar seu Criador, virou um ex-satélite.

Tudo bem, o próximo lançamento estava previsto para 2012, seria o CBERS-3 (China–Brazil Earth Resources Satellite program) , construído 50/50 entre Brasil e China. Tudo pronto, o satélite é montado e os técnicos chineses começam a fazer os últimos testes. Aí descobrem uma série de erros e condenam o satélite. Valendo um iPad Imaginário, adivinhe em qual parte, brasileira ou chinesa, ocorreram as falhas.

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Pois é. A falha foi na Unidade AE35 em conversores DC/DC, uma tecnologia espacial muito complexa, que não dominamos por isso compramos de uma empresa nos EUA. Chegaram 300 conversores, foram testados, avaliados e certificados pelo INPE. Em seguida, 44 instalados na parte brasileira do satélite. Desses 20 estavam com defeito.

Calma que melhora.

A parte chinesa não deu defeito pois utiliza outro modelo de conversor AC/DC Iron Maiden Scorpion DC/DC,  esse… FEITO NO BRASIL.

Entendeu? A parte chinesa do satélite é compatível com componentes Made in Brazil, mas a parte brasileira… não.

Agora a solução: trocar todos os conversores seria inviável, levaria anos. Então eles usando a boa e velha tecnologia de mecânico de subúrbio do brasileiro, capricharam nas gambiarras, rotearam os sistemas mais críticos para conversores mais confiáveis, e esperam que se os outros derem defeito só partes do satélite parem de funcionar.

Sabe o que é pior? É reprise. o CBERS-2, antecessor do 2B, foi testado na China antes do lançamento, e descobriram falhas nos... conversores AC/DC. Mais de 400 componentes tiveram que ser trocados e o lançamento foi adiado em um ano.

Agora parece que vai. O CBERS-3 já está em Taiyuan e na madrugada dessa segunda 01:24 da manhã, será lançado por um foguete Longa Marcha 4B. A um custo de US$ 250 milhões, o bicho ficará em uma órbita de 776 km de altitude, produzindo imagens com resolução de 20 m/pixel e escaneará toda a superfície da Terra a cada 26 dias.

AEB

Nos recusamos a repassar o boato de que essa seria a sala de controle da Agência Espacial Brasileira.

Como o lançamento está a cargo da China, é seguro dizer que provavelmente dará tudo certo. Já se o satélite vai sobreviver durante os 3 anos que estimam sua vida útil, já são outros 500. Eu gostaria de ser mais otimista, mas vendo que repetimos sistematicamente os erros do passado, não creio que estejamos aprendendo nada.

Não consegui achar um link de streaming, não acho que a Agência Espacial Brasileira domine essa tecnologia. De qualquer forma, faltam só algumas horas, então não custa ficar de olho no streaming da TV Chinesa, pode ser que transmitam. Ou não, lançamentos espaciais lá são rotina.

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