Sonda Indiana para Marte comete errinho de 22 mil km, mas está tudo bem

satelitedoamor

O lançamento da MOM, a Mars Orbiter Mission foi um sucesso absoluto. O país que antes era apenas sinônimo de miséria, mandou uma sonda pra lua (em 2008!) e construiu foguetes de verdade, como o PSLV, que só teve UM acidente, no primeiro lançamento. De lá pra cá, 24 bem-sucedidos.

Inclusive o último, que colocou a MOM em uma órbita elíptica, com planejamento de várias manobras, aumentando a excentricidade da mesma, com isso quando se aproxima da Terra a sonda ganha mais e mais velocidade. A última manobra irá atingir velocidade de escape, e com um pequeno empurrão gravitacional da Terra, os indianos irão para Marte.

 Na manobra de domingo a sonda passou de um apogeu de 71.623 km para 78.276 km. O alvo era 100 mil km, mas algo deu errado. Espero que tenham usado a frase “Nova Déli, temos um problema.”

agoravai

Na imagem, disponibilizada pela excelente página da missão no Facebook, vemos a posição atual da sonda, e a nova órbita, que devem conseguir atingir com uma manobra suplementar nesta madrugada, horário de sei lá aonde.

O defeito, não foi defeito, mas uma daquelas situações que ninguém lembra de testar, igual ao alarme que quase abortou o pouso da Apollo XI. No caso durante a manobra foram testar os subsistemas da sonda, entre eles o solenóide que controla a válvula principal de combustível do motor. Testaram a principal, então acionaram a auxiliar, só que o sistema não estava preparado pra isso.

O auxiliar deveria ser usado quando o principal falha, os dois ao mesmo tempo começaram a puxar corrente demais, e antes que queimassem um “fuzil”, o software desconectou tudo. Como tinha uma missão a cumprir, o sistema de navegação buscou alternativas, acionando os jatos de manobra, que são bem menos poderosos. Com isso a altitude ficou abaixo da desejada.

Sabendo que não é mais para fazer isso, não vão mais fazer e as próximas manobras provavelmente ocorrerão sem problemas. Depois de hoje, só faltam mais duas. E aí, MARTE!

Mas mesmo que não cheguem lá, os indianos já provaram que conseguem lançar sondas de gente grande, com foguetes de gente grande, e rastrear e controlar essas sondas que nem gente grande. Tudo isso com orçamento de filme de Bollywood.

Isso mesmo. Acharam que um post desses passaria sem o momento vergonha nacional?

Estamos acostumados a missões da NASA na casa de bilhões de dólares, isso alimenta nossa viralatismo e meio que consola e justifica nossa patética posição rubinhesca na corrida espacial. Só que a Índia está lançando uma sonda para Marte em uma missão que custou US$ 73 milhões.

Quando dá isso na nossa realidade nacional? Não vou comparar com estádios de bilhões de dólares, ferrovias-fantasma ou o gasto do Congresso com Xerox. Vou comparar a uma área sucateada, sem recursos, largada à míngua: a pesquisa espacial brasileira.

A Índia construiu e mandou uma sonda pra Marte com US$ 73 milhões.

O Orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação para “Política Espacial”, somando apenas os últimos 3 anos foi de R$ 1.134.119.969,00.

“Ah mas isso é pra tudo, e a Agência Espacial Brasileira deve ganhar uma merreca!”

Na rubrica específica, de novo, acumulado em 3 anos: R$ 964.147.515,00

Será que dinheiro é REALMENTE o problema? Ou vamos levar mais 20 anos com nossos foguetes sendo indistinguíveis de dildos avantajados?

Relacionados: , , , , ,

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e para seu blog pessoal, o Contraditorium,

Compartilhar