NASA consegue link de 622 Mb/s da Lua, mas o Ping é um lixo.

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Existe uma noção, errada, de que as comunicações da NASA são lentas. Quando a Voyager 2 encontrou Júpiter, em 1979, conseguia velocidades de 115,2 kbit/s, respeitável em se levando em conta a distância de 780 milhões de quilômetros.

Agora tanto a Voyager 2 quanto a Voyager 1 transmitem a 160 bits por segundo. Suficiente para manter a telemetria e repassar informações básicas dos poucos instrumentos que ainda funcionam.

Só que nossas necessidades aumentaram MUITO. Hoje câmeras como a HIRISE produzem imagens cuja resolução varia entre “boçal” e “grosseria”. É um problema, pois a Deep Space Network da NASA já está sobrecarregada, missões precisam dividir a rede e no final a Curiosity fala com a Terra a uma velocidade patética de 21,7 kb/s.

O problema é energia. Mesmo com uma antena direcional, o sinal se espalha tanto que no final você precisa de uma antena ENORME pra receber uns míseros ergs. Um exemplo que todo mundo gosta de dar é que a energia acumulada recebida por todos os radiotelescópios já construídos não seria suficiente para derreter um floco de neve.

dnsAntena de 70 m da DNS em Goldstone, Califórnia

Como a geração atual já deu piti quando a Curiosity transmitiu um thumbnail segundos após o pouso, e não o vídeo em tempo real Full HD que imaginavam, é imperativo que a disponibilidade de banda aumente, e isso é possível graças a…

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“LASERS”

Como um feixe de laser é muito mais concentrado, há bem menos perda. Um bom teste disso são os refletores que o pessoal da Apollo XI deixou na Lua, perto do estúdio onde filmarão o pouso fake em Marte. Usados para determinar com precisão centimétrica a distância entre a Terra e a Lua, os refletores refletem (minha professora de redação deve estar orgulhosa) uma parte do feixe, que quando chega na Lua tem uns 7 km de diâmetro.

Ou seja: você tem que mirar um raio de 7 km de diâmetro em um alvo a 400 mil km de distância. Alguns diriam que é impossível, mesmo para um computador, mas é possível, e nem é preciso usar a Força. Isso foi comprovado em milhares de experimentos, e agora o caminho inverso está sendo feito pela LADEE, a Lunar Atmosphere and Dust Environment Explorer, uma sonda criada para estudar a atmosfera lunar, que deu carona a um experimento agregado, o LLCD – Lunar Laser Communication Demonstration.

A idéia é determinar se na prática, uma sonda orbitando a Lua a trocentos milhares de km/h consegue achar a Terra e manter o alinhamento de um laser de comunicação, transmitindo e recebendo dados, com a mesma precisão e confiabilidade de uma antena de rádio convencional.

Se isso for bem-sucedido, além da velocidade há a vantagem das estações receptoras poderem ser BEM menores. Compare a antena acima, UMA das usadas pela NASA, que precisa de estações espalhadas pelo mundo. Culpa daquele ateu do Copérnico.

Esta é uma estação da Deep Space Network with lasers:

dnswithlasers

Bem diferente, né?

Mesmo com esses sensores minúsculos a NASA conseguiu velocidades de download (literalmente download) de 622 Mb/s, e 20 Mbit/s de upload, SEM ERRO. Claro que não conseguirão tanta velocidade transmitindo de Marte, mas não é impossível que as próximas missões, lançadas a partir de 2017 transmitam o tão sonhado vídeo Full HD em tempo real.

Óbvio, os chatos então reclamarão que não é em 4K. E também nem se anime, se você mora em uma colônia lunar nazista secreta. Essa banda toda não afeta o ping. Com uma distância média de 384 mil km da Terra, um ping, ida e volta levaria 2.500 ms. Ninguém vai querer jogar Wolfenstein com você.

D2005_1010_T020b.jpg

Uma das estações da NASA mandando Alderaan pro inferno enviando um sinal para a sonda LADEE.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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