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Eocene Park (NOT!): cientistas encontram fóssil raro de mosquito com a pança cheia de sangue

Fóssil do Eoceno encontrado nos Estados Unidos é o primeiro da história que preservou traços de um mosquito com o ventre repleto de sangue após se alimentar

6 anos atrás

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Ainda que não tenha sido cientificamente acurado, esta nota deixaria Michael Crichton feliz se tivesse vivido o bastante para lê-la.

Todo mundo que assistiu Jurassic Park e se maravilhou com os dinos (uns digitais, outros não) de Spielberg lembra de uma das imagens mais fortes do filme: o mosquito preso em âmbar que teria sido o responsável por conservar o DNA dos dinos, esperando por um cientista que pudesse extrair a receita. Corta para 2013 e pesquisadores liderados pela doutora Dale Greenwalt do Museu Nacional de História Natural de Washington DC anunciam que identificaram pela primeira vez um raro fóssil de mosquito com o ventre cheio de sangue, provavelmente sua última refeição antes de virar história.

O fóssil data do Eoceno, o período que compreende entre 55 e 36 milhões de anos atrás. Nessa época os dinossauros já tinham virado história há muuuuuito tempo. Por outro lado ainda hera cedo para aparecerem mamíferos mais famosos como os mamutes ou o tigre-dentes-de-sabre. Na verdade foi durante o início do Eoceno que muitas variedades começaram a se estabelecer, com o surgimento dos primeiros ancestrais de cetáceos e sirênios ancestrais, bem como de proboscídeos (elefantes), primatas, marsupiais e quirópteros. Era uma época em que variantes anãs reinavam, o que não impediu o aparecimento de gigantes como o Andrewsarchus, o maior mamífero carnívoro que se tem registro. Um dos maiores predadores era no entanto o Gastornis, uma ave colossal (podia chegar a dois metros de altura) que não voava e que atravessou o Paleoceno, se extinguindo neste último período. Entre os répteis a Titanoboa era uma serpente de respeito, que chegava a 15 metros e pesava mais de uma tonelada (apesar de registros fantasiosos dizerem que sucuris chegam a esse tamanho, quando o normal é medirem entre 4 e 6 metros).

Segundo os cientistas, não é raro fósseis de mosquitos do Eoceno serem encontrados (na verdade a grande maioria data desa época), porém pesquisas sobre seus hábitos alimentares só poderiam supor através de moléculas encontradas. Um fóssil de barriga cheia como o da foto é o primeiro. A dra. Greenwalt lembra que o abdômen cheio do inseto "é como um balão prestes a estourar, é muito frágil", o que torna a descoberta tão especial.

Dada a nota, é hora de destruir as esperanças de vocês, criançada: além de não ser nada relativo ao tempo dos dinossauros, qualquer possibilidade de trazer qualquer que seja o animal dono do sangue seria infrutífera: o DNA se deteriora em no máximo 1,5 milhões de anos, já que sua meia-vida é de míseros 521 anos.

O espécime foi encontrado em sedimentos no Arizona, Estados Unidos e não em âmbar, como normalmente ocorre. Ainda que todo o DNA tenha ido embora, moléculas de ferro e o pigmento porfirina - componentes da hemoglobina - permaneceram. Como era de se esperar, esses elementos encontrados na fêmea estavam praticamente ausentes no espécime macho de mesma idade, encontrado na mesma ocasião.

Como o DNA desses animais se foram para sempre, o que está ao alcance do homem seria clonar animais extintos em tempos mais recentes, como o tilacino ou a moa (o dodô não, sobrou pouca coisa como material), apesar do que fazê-lo implica em algumas complicações éticas. Porém seria interessante o que poderíamos fazer com esse material encontrado caso as coisas fossem diferentes.

Fonte: Nature.

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