Nintendo seria uma Apple da indústria de games? R.: definitivamente não.

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Nintendo 2DS, o iPad mini japonês? (Crédito: NeoGAF)

Na internet, parece que é obrigatório odiar alguma coisa para ser ouvido. Posso até especular que alguma amizade tenha tido início entre críticos com um “inimigo em comum”. E, dentre os críticos “entendedores” de tecnologia, não há uma comparação tão desejada e polêmica quanto colocar a Apple e a Nintendo lado a lado.

Semana retrasada, Richard Hilleman (Electronic Arts) discursou em palestra durante o evento DICE Europe sobre como a indústria de consoles tem ficado cada vez mais complicada (preços elevados dos jogos, intermináveis seqüências de franquias já estabelecidas, etc) e estaria forçando a migração de potenciais consumidores ávidos por novidades para os smartphones (e tablets). Uma das ideias expostas foi a seguinte:

Agradeço Shigeru Miyamoto pelas contribuições à indústria de videogames no passado mas ele vem perdendo relevância nos últimos cinco anos para Steve Jobs, o falecido mais ilustre de Cupertino.

Inúmeros blogs fizeram estardalhaço sobre tal infeliz comparação por falta de melhores não-tícias. Se fizéssemos uma analogia para analisarmos tal citação com calma, poderíamos comparar Shigeru Miyamoto a um artista (ator, pintor, etc) e Steve Jobs a um dono de estúdio de Hollywood ou galeria de arte situada em outro país que não concorreria diretamente com o trabalho do japonês. Simplesmente não há qualquer relação direta entre Miyamoto e Jobs, então o tio Laguna prefere tentar responder o seguinte: a Nintendo seria “uma Apple” da indústria de games?

Eu gostaria de fazer uma citação de um livro que li recentemente sobre o assunto, para a tristeza de quem adora relacionar a BigN com a Maçã:

A Apple, a exemplo da Microsoft e da Sony, é no fundo uma empresa de eletrônicos. Ela cobra muito mais pela qualidade de seus produtos. E depois cria formas sutis para que você não consiga se livrar do iHábito.” — Jeff Ryan, “Nos bastidores da Nintendo”, Saraiva eBooks.

O design estético do exterior de algum hardware que considero mais próximo entre as duas é o Panasonic Q (versão japonesa do Gamecube que roda DVDs de tamanho padrão) e um antigo Mac Mini com entrada para DVD.

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Alguns poderiam citar o minimalismo no design do velho Nintendo Wii como possível homenagem à Apple, mas o único detalhe que vejo em comum entre os componentes internos de hardware seria a arquitetura PowerPC da IBM, utilizada nos três últimos consoles da Nintendo e nos Mac antes de a Apple utilizar processadores Intel.

Aliás, a Apple é conhecida por utilizar hardware de ponta recém-lançado e cobrar caro por isso, enquanto a japonesa desde o Nintendo DS (2004) segue à risca a filosofia Gunpei Yokoi de preferir (re)utilizar hardware antigo (leia-se: consolidado e bem conhecido) a investir pesado em equipamento no estado da arte. O melhor e mais atual exemplo de hardware reciclado é o Nintendo 2DS, que será lançado próximo final de semana e cuja bateria é inclusive a mesma do Nintendo 3DS de 2011 (ela inclusive consegue autonomia maior).

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Nintendo 2DS usa a mesma bateria do 3DS, são 1.300 mAh a 3,6 V e carga 5 Wh (Crédito: Nintendo Life)

No que tange ao software, podemos até fazer algum paralelo entre a BigN japonesa e a grande Maçã norte-americana:

Apple e Nintendo são bem parecidas: ambas são sistemas fechados famosos, ambas têm bases de fãs de carteirinha de várias idades e ambos os sexos, ambas enfatizam o estilo e a diversão. A principal diferença entre o 3DS e o iPod, filosoficamente, é que apenas um deles tem botão de desligar.” — Jeff Ryan, “Nos bastidores da Nintendo”, Saraiva eBooks.

Na minha opinião, não há um app exclusivo da Apple que me faria por si só comprar um iPad ou iPhone (comprei o 4S porque precisava de smartphone, detesto o Android e o Lumia 800 estava caro), enquanto há jogos desenvolvidos pela Nintendo que me fariam comprar um console dela.

Acho que não estou sozinho em tal argumento, pois embora muitos detestem a suposta reciclagem de títulos da Nintendo, esta dificilmente deixará suas franquias serem publicadas em outros ecossistemas. E, diferentemente de outros sistemas fechados, sobretudo o iOS, que atrelam o conteúdo comprado digitalmente à conta do usuário, a Nintendo insiste em associar uma compra digital no eShop ao aparelho. Espero que pelo menos isso a Nintendo copie da Apple.

Enfim, se há empresa que seria “uma Apple” da indústria de games, o tio Laguna gostaria de apostar na Sony (ou mesmo na Microsoft que deveria seguir mais o Google para salvar o Windows Phone), não na Nintendo.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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