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Mirar morteiros? Tem uma App pra isso™

Esses rebeldes vivem surpreendendo. Agora, para desespero de Darth Assad, estão usando iPads para alinhar morteiros. Espero que ele tenha se lembrado de fechar as portas de exaustão do reator.

6 anos atrás

chupaassad

A foto acima tem deixado muita gente encucada. Primeiro, como a escumalha rebelde consegue acesso a um iPad com 3G? Segundo, que diabos estão fazendo? Assistindo Pr0n? Netflix? Atualizando o iOS 7?

Quase. Estão jogando Angry Birds de gente grande.

O consenso é que o iPad está sendo usado como um transferidor, determinando o ângulo do lançador de morteiros. Isso é essencial. Em geral ângulos próximos a 90 graus são ruins, se bem me lembro meu treinamento no Call of Duty.

 

Mais ainda: mirar um morteiro é pura matemática. Depende de fatores simples, tão simples que quando escrevi meu livro de Flash usei como base para ensinar a criação de um jogo estilo Angry Birds, mas confesso que a idéia já era antiga. GORILLA.BAS, pra ser preciso.

Na verdade a matemática da trajetória balística é conhecida desde Galileu, e usada para mirar canhões. A mesma matemática serve para mosquetes, bacamartes, rifles AK47 e ICBMs. No momento em que seu projétil, sem propulsão sai do cano da arma, ou se destaca do foguete lançador, está na mão de um poder maior: Newton.

Em 1537 um sujeito de nome Tartaglia realizou um experimento para determinar qual ângulo produzia a maior distância para um tiro de canhão, mantendo a velocidade de lançamento idêntica. Ele chegou a um valor próximo de 45 graus. Em 1636 Galileu resolveu botar no papel e descobriu que matematicamente também chegava nos 45 graus. Por séculos isso se manteve, mas hoje mudou.

Não, não mudaram as Leis da Natureza, nem Galileu errou. Ele apenas ignorou propositalmente a resistência do ar, propondo uma solução que funciona literalmente para balas de canhão esféricas no vácuo.

As munições hoje são aerodinâmicas (desculpem, feministas, não é fálico, é ciência) e atingem distâncias bem maiores, mas sua trajetória no ar é alterada. O ângulo de 45 graus não é tão bom, para o modelo atual, 32 são o ideal.

Trajectory_for_changing_launch_angle

Hoje em dia sistemas de foguetes MLRS como o Astros II utilizam centenas de parâmetros, de umidade do ar, temperatura até signo do vizinho do motorista do caminhão que levou o café que os operadores estão tomando afetam o tiro, mas mesmo com poucos parâmetros era exigir demais que um soldado, no meio do fogo inimigo puxasse uma régua de cálculo e fizesse contas. Daí inventaram as tabelas de tiro. Como esta, do Exército dos EUA, para canhões de 3 polegadas na 1ª Guerra Mundial:

US_3_inch_field_gun_range_tables_1917

Calcular essas tabelas era tão importante que inventaram um negócio chamado computador só pra isso. No caso, o ENIAC. Ele poderia calcular tabelas em uma velocidade 3x maior do que um MacBook Pro (se o MacBook Pro estiver desligado, claro) e produzir livros com muito mais permutações, dando flexibilidade pros artilheiros variarem munição, ângulo, idade do cano, etc.

No caso da Síria pode ser que estejam usando algo mais avançado que um transferidor. Um app que calcule a posição de um disparo, baseado no ponto de origem, modelo da munição e ângulo do tubo é… trivial. Os rebeldes JÁ estão usando manualmente o Google Maps para identificar alvos, não seria um salto muito grande.

Quanto aos outros fatores, eles provavelmente estão seguindo as técnicas da nossa honorável tradição de matar uns aos outros de forma eficiente com projéteis: um observador reporta o ponto onde o morteiro acertou, comparada com o ponto esperado, comanda uma correção, e bye-bye tropas do Assad. Ou um orfanato, mas aí quem mandou usarem Apple Maps ao invés do Google?

Fonte: HP.

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