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Cyanogen levanta US$ 7 milhões em investimentos para criar um fork do Android

Cyanogen recebe aporte milionário, se torna uma empresa de desenvolvimento e vai lançar um fork do Android, visando se tornar o terceiro sistema mobile mais popular

6 anos atrás

cyanogen

Ainda que o CyanogenMod seja a ROM alternativa mais popular entre os geeks donos de Android, principalmente por ser a melhor opção para as políticas nem sempre amigáveis dos fabricantes em não atualizar seus dispositivos (todas fazem isso, mas a Motorola é campeã), o projeto originalmente criado por um cara só há quatro anos atrás resolveu dar um importante passo para aumentar seu alcance.

Em comunicado o projeto Cyanogen anunciou que recebeu um aporte de 7 milhões de dólares da Benchmark Capital and Redpoint Ventures, e com isso se torna oficialmente uma empresa de software, e mais: o dinheiro a permitirá lançar um fork do Android, e a empresa tem o nada modesto plano de se tornar o terceiro sistema operacional mobile do mundo, à frente de Windows Phone e BlackBerry. E esta pode ser uma tarefa mais simples do que se imagina.

Em um cenário onde o Android é extremamente fragmentado, o CyanogenMod (que fatalmente perderá o "Mod" no nome. Até mesmo o nome Cyanogen pode mudar) possui 8 milhões de usuários, o que é um número impressionante já que o Android registrou recentemente um bilhão de ativações. Isso significa que quase 1% dos usuários rodam versões do robozinho verde mais próximas do sistema puro e com atualizações constantes, e muitos aparelhos considerados antigos rodam versões recentes sem problemas: o Galaxy S lançado em 2010 roda a versão 10.1 do CyanoGenMod tranquilamente (com o Android 4.2 Jelly Bean), enquanto a Samsung o manteve preso oficialmente no 2.3 Gingerbread.

O CyanogenMod é uma opção ao descaso de operadoras e fabricantes com seus consumidores, que para eles suporte pós-venda não existe e não raramente aparelhos de um ano não são atualizados. Mas a empresa sabe que mesmo assim é uma opção de nicho, voltada mais para quem tem um mínimo conhecimento do Android, não para o usuário comum. A Cyanogen pretende resolver esse impasse, e para isso vai se concentrar em duas frentes:

  • uma delas é criar uma versão o mais simples possível do CM, do tipo "clique e instale"; com isso o usuário não mais precisará executar um sem número de passos: alguns tutoriais chegam a listar 23 deles, o que afugenta qualquer um que não tenha conhecimento além de baixar um app e instalar, que é o que a empresa pretende fazer: disponibilizar um app na Google Play Store e um instalador para Windows, e ainda que no início a novidade seja reservada a um número limitado de aparelhos, a empresa pretende expandir para um número considerável com o passar do tempo.
  • a segunda é que smartphones e tablets já saiam com o CyanogenMod de fábrica, e para isso ela fechou uma parceria com um fabricante ainda não revelado. Dependendo das opções de escolha esse pode ser o melhor movimento para dar um boost no sistema e torná-lo realmente popular, nem todo mundo vai procurar o app para trocar o sistema.

Resta saber o quão livre será o desenvolvimento do sistema, quem é o fabricante parceiro (eu chutaria HTC) e principalmente, se as atualizações serão constantes mesmo, pois o fato de não lançar novas versões do Android é mais mercadológica do que limitação de hardware, a própria empresa provou isso e seria estranho ela não seguir sua própria cartilha (mas não dá para saber as intenções do parceiro que injetou a grana). Por enquanto a Apple é a que mais respeita seus clientes no que diz respeito à atualizações: somente agora o suporte ao iPhone 3GS e iPad de primeira geração se encerrou, já que ambos não suportam o iOS 7. E se levarmos em conta tudo que a Cyanogen alcançou enquanto independente, ela tem tudo para fazer ainda mais e melhor, agora que tem dinheiro e meios para tal. Fiquemos na expectativa.

Fonte: The Verge.

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