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Cientistas desenvolvem organoides cerebrais em laboratório pela primeira vez

Pesquisadores utilizam células-tronco e conseguem desenvolver primeiros organoides cerebrais, modelos 3D de células do cérebro em estágio embrionário

6 anos atrás

Imagem de organoide cerebral. O ponto marrom é tecido da retina

Uma equipe de pesquisadores britânicos e austríacos conseguiram desenvolver modelos 3D embrionários do cérebro humano, ou organoides cerebrais (e não "mini-cérebros", como a mídia leiga está alardeando), o que pode ajudar em muito a identificar problemas cerebrais nas primeiras semanas de gravidez, além de entender como o cérebro se desenvolve.

A técnica consiste em utilizar células-tronco e estimulá-las a se desenvolverem em tecidos especializados, cultivando um tecido embrionário chamado neuroectoderma, do qual o cérebro e o sistema nervoso derivam. Em um mês os cientistas já conseguiam identificar regiões do cérebro em estágio embrionário como retina, plexo coroide e córtex cerebral. Com dois meses os organoides alcançaram quatro milímetros de comprimento e possuíam neurônios ativos, que se reproduziram da mesma forma que em situações normais.

Ao contrário do que andam falando por aí, o dr. Jürgen Knoblich do Instituto de Biotecnologia Molecular da Academia Austríaca de Ciência e responsável pela pesquisa foi enfático ao dizer que não se tratam de cérebros em miniatura. Apesar de possuírem características de um cérebro embrionário com até nove semanas de gestação, Knoblich diz que os organoides não possuem nada que se assemelhe com uma rede neural. Apesar das células se organizarem de certa forma até correta, o organoide não lembra um cérebro em nada, nem chega a funcionar de fato.

O objetivo do estudo é, na impossibilidade de estudar as conexões neurais, entender os primeiros estágios do desenvolvimento cerebral e ajudar a detectar distúrbios que aparecem durante esse período. Por exemplo, usaram células-tronco para desenvolver organoides a partir de um doador que sofre de microcefalia (esta sim, uma anomalia genética que resulta num cérebro e caixa craniana menor do que o normal). Os organoides cerebrais derivadas desse doador se mostraram muito menores do que o normal. Reproduzir a condição em laboratório é importante para entender quando e por quê anomalias do tipo ocorrem.

Segundo Knoblich criar um cérebro completo não é o objetivo e nem é possível: os organoides são basicamente um amontoado de células especializadas reunidas de forma um tanto desordenada, eles sequer possuem fluxo sanguíneo, são alimentados com oxigênio diretamente em laboratório. Se no futuro essas limitações forem contornadas o processo de cultivo poderá ir adiante e ser útil para identificar os primeiros estágios de outras desordens, como o autismo.

Fonte: NatGeo.

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