Kevin Spacey pede aos executivos de TV para que abram o olho para as novas tecnologias

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O jogo mudou.” (Crédito da foto: Salon)

Durante seu discurso no Festival de Televisão de Edimburgo, o ator Kevin Spacey chegou à conclusão de que os telespectadores mais jovens não veem a diferença entre assistir a um programa de TV, um filme ou o YouTube.

O astro protagonista de House of Cards, o mais famoso seriado produzido pelo Netflix, explicou aos tradicionais executivos de TV, presentes na palestra à memória de James MacTaggart, o seguinte:

Se assistimos a um filme no televisor ele deixa de ser um filme por não o assistirmos no cinema? Quando assistimos a um programa de TV no iPad, ele deixaria de ser um programa de TV?

O dispositivo onde assistimos o conteúdo e a duração deste é irrelevante para as crianças crescendo agora: para elas não há diferença alguma entre assistir ao Avatar num iPad, o YouTube no televisor ou conferir o último episódio do Game of Thrones no computador. O conteúdo e seu enredo por si só continuam sendo os mesmos.

Rótulos são inúteis, exceto, talvez para agentes, produtores e advogados que usam tais rótulos para conduzir negócios. As redes de TV e os estúdios têm que aprender a adaptar-se, apreciando a maravilhosa oportunidade que está sendo dada a eles no momento: aqueles que ignorarem a mudança, seja pela crescente sofisticação da narrativa, seja pela areia movediça trazida pelo avanço tecnológico, serão deixados para trás.”

Spacey pediu aos executivos para que não cometam o mesmo erro da indústria fonográfica, dando aos telespectadores maior controle sobre em que aparelhos os filmes e seriados favoritos poderão ser assistidos em vez de limitar onde o potencial público poderia apreciar o conteúdo.

Complementando o Kevin, vou além: podemos notar que um filme não foi bem na bilheteria ou o seriado foi cancelado por baixa audiência quando alugamos ou mesmo compramos o respectivo Blu-ray (ou DVD) e, antes de o filme ou seriado começar, há toda uma burocracia de assistirmos à trailers de outros filmes e/ou seriados da distribuidora antes de explorarmos o menu dessa mídia física para aí sim, finalmente, configurarmos os idiomas e dar o play.

Quem tem o hábito de visitar a locadora do Paulo Coelho já tem acesso ao filme depois de baixado e, qualquer coisa, vai atrás da legenda e/ou o áudio adicional necessário para o imediato consumo. Isso para quem sabe usar o download ilegal ao seu favor: há aqueles mais abonados que podem pagar pela TV por assinatura e preferem acompanhar seu seriado favorito no meio do horário nobre em meio às intermináveis reprises no restante do dia, pagando mais pelos canais extras que passem apenas filmes recém-saídos do cinema. Outros menos afortunados, que não querem saber da liberdade dada pela internet e não estão dispostos a gastar um tostão em assinatura de TV, preferem ser pacientes e deixar que a TV aberta exiba o seriado ou filme quando arranjar anunciantes, cujos longos comerciais têm piorado ano a ano.

O tio Laguna acredita que Kevin Spacey estaria defendendo o atual modelo do serviço Netflix, que, por uma módica assinatura (até o momento, R$ 16,99 mensais), nos disponibiliza por streaming vários seriados e filmes relativamente recentes para imediato consumo em qualquer dispositivo suportado, só dependendo de uma conexão à internet com alguma estabilidade. Um modelo de negócios como o Netflix basicamente corta o intermediário entre o telespectador e o consumo imediato do conteúdo, seja esse intermediário os horários fixos da TV, a cara mídia física ou mesmo as incômodas propagandas comerciais inseridas dentro do horário de exibição dos filmes e seriados. Não à toa tantos outros serviços semelhantes estão se popularizando.

Fonte: Gawker.

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Autor: Emanuel Laguna

O “tio Laguna” nasceu no Siará em meio à Fortaleza de 1984. Sempre gostou de brincar de médico com os aparelhos eletrônicos e entender como um hardware dedicado a jogos funciona, mas pretende formar-se como Engenheiro Eletricista qualquer dia. Antes apaixonado pelos processadores gráficos desktop, vê nos smartphones, tablets e outras geringonças mobile o futuro da computação.

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