Nova vacina contra a malária atinge 100% de eficácia, porém OMS manda ir devagar com o andor

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Se por um lado há times estudando formas de infectar os mosquitos causadores de dengue e malária (Fiocruz inclusa) de modo que eles não consigam mais transmitir tais doenças, maior é a pesquisa envolvida em desenvolver vacinas eficazes, principalmente no que diz respeito à malária, que mata de um a dois milhões de pessoas todo ano.

Dentre as diversas equipes envolvidas nesse esforço conjunto, uma em especial conseguiu uma versão que pela primeira vez conseguiu imunizar 100% dos voluntários submetidos ao experimento, ainda que sejam apenas seis pessoas (um dos motivos que levou a Organização Mundial de Saúde a irem devagar no estouro de champanhes).

A vacina em questão foi desenvolvida por uma laboratório chamado Sanaria sediado no estado de Maryland, Estados Unidos, e a equipe é chefiada pelo Dr. Stephen Hoffman, um veterano na pesquisa da malária. Ela foi chamada de PfSPZ devido o fato de que ela é produzida com esporozoários do parasita Plasmodium sp, que nada mais são do que uma fase intermediária de desenvolvimento. O processo para se conseguir o resultado esperado é insano de tão complexo: em primeiro lugar, é preciso criar mosquitos Anopheles estéreis em escala industrial, alimentando-os com sangue infectado e os irradiando de modo que os esporozoários fiquem mais fracos.

Essa é a parte fácil. Depois disso é preciso dissecar as glândulas salivares dos insetos para fazer a colheita dos esporozoários vivos, bilhões deles, que são purificados, preservados criogenicamente e incorporados à vacina ainda vivos, para gerar a resposta imunológica adequada. O resultado foi promissor: com cinco aplicações intravenosas da dosagem mais alta, todos os seis voluntários foram imunizados com 100% de eficácia. O artigo foi publicado na Science.

Entretanto a OMS recomenda cautela: o porta-voz Tarik Jasarevic felicitou a equipe pela pesquisa bem-sucedida (lembrando que a meta é desenvolver uma vacina com 80% de eficácia até 2025), mas lembrou que ainda é cedo para comemorar, considerando que há diversas equipes pesquisando a vacina e a versão da Sanaria é uma das vinte na Fase 1 (bem preliminar). Além disso, mesmo que essa seja a primeira com resultados tão bons, a complexidade do processo de produção e o fato dela não ser tão eficaz quando aplicada das formas mais tradicionais (intradermal, inalação ou intramuscular) e que ela só pode ser armazenada em nitrogênio líquido são fatores que acabam pesando contra ela.

Ainda assim é preciso comemorar que mesmo com todas as dificuldades, esse é um começo. Até então ninguém tinha conseguido chegar tão longe e caso a euqipe do Dr. Hoffman ou alguma outra consiga melhorar o processo, só temos a ganhar.

Fonte: Nature.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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