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Esquecendo da Guerra Fria russos tentam proteger dados usando… Máquinas de Escrever

Na onda da histeria causada pelo Snowden, Rússia esquece décadas de Guerra Fria e tenta proteger seus documentos com... máquinas de escrever

6 anos atrás

enigma2

Nem é uma dessas. Antes fosse.

A incrível e fantástica revelação de Edward Snowden, de que agências de espionagem internacional praticam espionagem internacional deixou um monte de governos em pânico. A Bolívia baniu uso de celulares e email nos primeiros escalões do Governo. No Brasil o incrível Ministro das Comunicações disse que estamos vulneráveis e que a Presidenta não usa criptografia. Uma pena que o Planalto desconheça PGP, mas enfim.

A melhor notícia entretanto veio da Rússia. Na melhor estratégia de corno que vende o sofá, deduziram que a culpa do vazamento de informações é das comunicações digitais, e portanto para evitar futuros nerds fofoqueiros, deveriam voltar ao papel.

Isso mesmo: Estão comprando US$15 mil em máquinas de escrever, reativando o parque existente e passarão a utilizar memorandos impressos, sem rastro digital.

Não é NEM editar num Word da vida e imprimir, é na máquina, provavelmente com direito a fita corretora e papel-carbono. Com isso, na cabeça do JÊNIO que pensou nesse plano fantástico, os documentos ficariam imunes a hackers.

BELEZA, mas temos dois probleminhas ínfimos nesse plano digno do Cérebro.

Problema 1 – Praticidade

Ao contrário do que o camarada lá pensa, não usamos computadores apenas para facilitar a vida do Snowden e do Malfoy Assange. Computadores são essenciais para tráfego rápido de informações. Um documento impresso leva horas, dias, semanas para ser encontrado, seu conteúdo precisa ser transcrito e se não se tornar online, seu uso fica restrito demais para ser… útil.

Deter informação é só parte da equação, você precisa ter agilidade na recuperação desses dados, tudo que não existe com o formato impresso. Ao abrir mão disso tudo em nome da segurança, você está abrindo mão do valor estratégico do documento também.

Problema 2 – Segurança

O jovem burocrata que teve a idéia das máquinas de escrever provavelmente faltou às aulas de História, o que é irônico e triste, visto que a KGB nos bons tempos era reconhecida unanimemente como a melhor agência de espionagem de todas. E, ao contrário de James Bond, a maior parte desse trabalho de espionagem consistia em espionar… documentos.

Muito antes dos computadores espiões invadiam escritórios inimigos e fotografavam material sigiloso. Quase todos, de ambos os lados usavam uma Minox, uma microcâmera com filme em cartucho, concebida nos Anos 1920 e que foi usada até o final dos Anos 1980.

minox

Ela era popular por ser minúscula, rápida de trocar filme e ter capacidade de macro. Ideal para fotografar documentos. Um modelo vinha inclusive com uma correntinha com o tamanho exato para marcar a altura em relação ao papel, garantindo que tudo sairia em foco.

Incontáveis documentos foram copiados assim, indo parar em Langley, no Kremlin, no MI6 e na ABIN. (ok, na ABIN não) Agora imagine se ao invés de uma câmera cara e suspeita os espiões tivessem um equipamento capaz de filmar e fotografar em alta definição, não levantar suspeitas, armazenar milhares de imagens e enviar tudo sem-fio para contatos em qualquer lugar do mundo…

Pois é. Na melhor das hipóteses, voltariam ao tempo em que a espionagem era feita normalmente com câmeras. Na pior e mais realista possibilidade, abrirão mão da agilidade dos computadores, enquanto seus documentos estarão “protegidos” em um mundo onde todo mundo tem celular com câmera, tablet, webcam, etc.

Triste ver isso do país que já foi bom o bastante para ter espiões nos atos escalões do Projeto Manhattan.

Fonte: T

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