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The Last of Us - Análise

Muito mais do que um simples jogo de zumbis, The Last os Us brilha por nos mostrar as atrocidades que os seres humanos são capazes de fazer para sobreviver.

7 anos atrás

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Eu não sei exatamente qual seria a explicação para isso, mas o fato é que existe algo nas histórias que retratam o fim do mundo que é capaz de fascinar as pessoas. Talvez seja a ambientação devastadora ou a completa instauração do caos, mas na minha opinião, aquilo que sempre procuro numa obra sobre o assunto é a visão do criador sobre os sacrifícios que os seres humanos teriam que fazer num hipotético apocalipse e neste ponto o The Last os Us merece toda nossa atenção.

Após um início de tirar o fôlego, seja devido a luta pela sobrevivência encarada pelos personagens ou pelo desfecho em si, o jogo da Naughty Dog usa como inspiração a assustadora relação entre o fungo Ophiocordyceps unilateralis e a formiga-carpinteira para tentar imaginar o que aconteceria caso esse parasita infectasse os seres humanos.

Segundo a história, da mesma maneira que acontece na vida real com os insetos, esses fungos passaram a transformar as pessoas em zumbis e após entrarem em contato com os esporos ou serem mordidas elas começam a apresentar um comportamento agressivo, terem convulsões e perderem a consciência. Sem conseguir uma cura, milhões de infectados logo sucumbiram e o exército começou a evacuar as cidades, criando zonas de quarentena onde os saudáveis tentam levar uma vida normal.

No entanto, passados alguns anos a sociedade como conhecíamos deixou de existir e nas selvas de pedra que se formaram aconteceu o óbvio, começou a prevalecer a lei do mais forte. Viver numa daquelas regiões controladas estava longe de ser algo agradável e quem optou por sair delas teve que se preocupar com dois perigos: os infectados e algo ainda pior, outros seres humanos dispostos a fazer qualquer coisa para durar mais um dia.

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Em sua essência o The Last of Us é mais do que um jogo de zumbis. Não seria exagero pensar nele como um ensaio sobre as atrocidades que nossa espécie é capaz de cometer quando a desordem impera e o instinto de sobrevivência fala mais alto. O título não parece ter o menor pudor de a todo momento jogar em nossas caras situações que julgo bastante plausíveis caso estivéssemos em um mundo sem autoridades, leis ou punições e na maioria delas a sensação que temos é que não gostaríamos de estar naquele lugar.

Mas se estas passagens servem para deixar tanto o jogador quanto a dupla Joel e Ellie mais duros para o que está por vir, elas também fazem com que nossa simpatia e preocupação pelos personagens aumentem. Como nasceu após a pandemia assolar o planeta, é muito interessante ver como a garota encara toda aquela situação, ora mostrando-se extremamente madura, ora encantando-se com coisas que para nós seriam triviais, como por exemplo um carro de sorvete.

De fato o enredo do jogo é o seu ponto principal, não por nos apresentar uma história inteiramente nova, mas por conseguir algo um tanto difícil nesta mídia, que é nos fazer simpatizar com os personagens e por diversas vezes sentir pena deles, de tão reais que são seus comportamentos. Tal ligação emocional com eles se torna tão forte que muitas vezes até nos pegamos frustrados com as sequências de ação que teimam em interromper o fluxo da história, mas não há como ignorar que elas servem para apresentar algum desafio ao jogador e em determinados momentos ajudam no processo de amadurecimento dos protagonistas, especialmente da menina.

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Durante toda a aventura o The Last of Us funciona de maneira tão acertada - e como uma boa obra de arte sendo capaz de entregar uma experiência única para cada jogador - que discorrer sobre sua parte técnica acaba me dando a impressão que o estamos relegando a um jogo comum. É verdade que sua mecânica funciona bem, nos dando a possibilidade de encararmos os confrontos direta ou sorrateiramente, que sua trilha sonora brilha quando se faz presente e principalmente, que seus gráficos e direção artística estão entre os melhores desta geração, mas acredito que este seja um exemplo de um título que merece ser mais sentido do que jogado e por isso todos esses aspectos acabam se tornando, se não irrelevantes, ao menos secundários.

Acho que podemos dizer que se fosse um filme o The Last of Us seria considerado um road movie e da mesma maneira que Ridley Scott conquistou o mundo ao nos colocar num carro junto com Thelma e Louise ou Dennis Hopper nos deu uma carona nas motos de Wyatt e Billy, a viagem com Joel e Ellie será tanto dramática quanto recompensadora, culminando naquela sensação que somente as boas histórias são capazes de entregar, a de que precisaremos de um tempo para absorver tudo o que vivemos durante aquela jornada e que felizmente tivemos essa oportunidade.

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