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Político propõe ensino obrigatório de ficção científica nas escolas

Ficção Científica, racionalismo, ensinar a pensar, explorar, entender o mundo? Um político utópico quer isso.

6 anos atrás

rundaverun

Em 1968 a obra-prima de Stanley Kubrick e Arthur Clarke – 2001 Uma Odisséia no Espaço – mostrava pela primeira vez uma visão realista da exploração espacial. Mais de 40 anos depois o filme ainda é referência. HAL é a quintessência do Computador Inteligente, a Discovery uma nave estranhamente funcional, e os astronautas são… astronautas.

Uma das cenas clássicas mostra um dos tripulantes da Discovery correndo na centrífuga da nave, percorrendo os 360 graus, em uma visão incrível, sem fios, efeitos de CGI (que aliás não existiam) ou miniaturas. Kubrick construiu uma centrífuga em tamanho real.

15 anos depois, inspirado pela cena de Kubrick o astronauta Pete Conrad teve uma idéia: O anel de armários do Skylab, primeira estação espacial americana parecia propicio para repetir a famosa cena. Seria possível?

Sim, seria.

 

Arthur Clarke, dizem, se divertiu muito quando viu as imagens, que foram transmitidas na TV ao som do tema de 2001. Mais uma vez a Vida Imitava a Arte. Mais uma vez a ficção inspirava a ciência.

William Shatner lembra em suas memórias que certa vez o elenco de Star Trek foi convidado para visitar a NASA. Ele foi, mas apavorado. Imaginava que seria idéia de algum RP, e que os cientistas desprezariam um reles bando de atores.

“Eles realmente iam ao espaço e construíam foguetes, a gente apenas fingia na televisão”.

Quando chegaram foram cercados por cientistas-fãs, fizeram uma visita super-vip e ainda ganharam um modelo da Enterprise construído pelo pessoal da NASA. Virtualmente todos eram fãs de ficção científica e Jornada nas Estrelas. Depois disso mais de uma geração seguiu carreira em ciência e tecnologia por inspiração de seus heróis nas telas.

A ficção científica mostra um mundo cheio de maravilhas a ser descobertas, mas ao contrário da fantasia, não nega acesso a esse mundo. Nunca conseguiremos visitar Aldeeran (até pq ele explodiu. haha sacaneei. too soon?) mas Star Trek nos maravilhou com tricorders, computadores mágicos capazes de acessar um banco quase infinito de informações. Hoje chamamos de smartphone.

Neil DeGrasse Tyson bem disse:

“Crianças nascem cientistas. Elas nascem sondando o mundo natural que as cerca. Elas levantarão uma pedra, pegarão insetos, puxarão pétalas de uma flor. Vão perguntar por quê a grama é verde e o céu é azul, vão experimentar com coisas quebráveis na sua casa. Acho que o melhor que um pai deve fazer, quando criando uma criança, é simplesmente sair do caminho dela”

Essa fase de curiosidade em geral dura pouco. Pais sem paciência ou conhecimento, humilhados por não conseguirem responder as perguntas de seus filhos cortam com “é assim porque é assim”, “pare de perguntar besteira” ou, a pior de todas “ pra quê você quer saber isso?”.

As crianças de mais sorte conseguem manter seu senso de deslumbramento lendo gibis, vendo filmes e consumindo livros de ficção, onde protagonistas são recompensados por sua curiosidade, resolvem problemas com inteligência e vivem na contramão dos heróis fáceis da maioria das histórias.

Com o tempo elas direcionam seu interesse, tentando seguir carreiras onde criação o futuro que tanto admiram. Esse tipo de motivação não existe em nenhuma outra vertente literária.

Ray Canterbury é um republicano (eu sei, também estranhei) que enviou uma proposta ao Conselho de educação da West Virginia que, se aprovada (nunca será) alterará a legislação de 1931 incluindo o seguinte parágrafo:

“Material de leitura de Ficção Científica deverá ser incluído no currículo para estimular o interesse em matemática e ciência”

Uma linha, uma simples linha que pode significar a diferença entre isto:

rocketgirl

E isto:

facepalmdaciencia

Ao invés de OSPB, EPB, Educação Moral e Cívica ou seja lá qual o nome da semana, crianças deveriam ler 1984 e Admirável Mundo Novo, Starship Troopers e O Jogo do Exterminador. Depois, passar o resto do semestre discutindo as histórias, mas isso exigiria demais –os professores teriam que ler os livros- e as crianças acabariam aprendendo a pensar, não seriam mais agentes passivos e associariam as alegorias dos livros ao mundo real.

Convenhamos, ninguém quer isso. Chego a pensar em atualizar a clássica “100 coisas que farei quando me tornar um Senhor do Mal” incluindo a 101a: “nunca permitir ensino de ficção científica nas escolas.”.

Sendo realista, ensino de ficção científica nas escolas é e sempre será ficção científica.

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