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Resenha: Da Vinci's Demons

Farofa Midiática, pela Ciência: o amigo Carlos Cardoso assistiu aos dois primeiros episódios de Da Vinci’s Demons e sobreviveu para contar o quão verossímil é o enredo steampunk na Idade Média!

6 anos atrás

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Primeiro de tudo, esqueça as chamadas da Fox. Aliás esqueça todas as chamadas dos canais a cabo para seriados. SEM EXCEÇÃO são criadas por gente que não assiste e na verdade odeia séries e quem gosta delas.

Feito isso, esqueça que Leonardo Da Vinci era uma tartaruga. Ou velho. Eu sei, é difícil, é igual imaginar Dom Pedro II novo, mas ele já foi jovem. No caso, 25 anos de idade, se bem que na idade média isso era meia idade.

Agora imagine que Leonardo era o maior gênio de seu tempo; multidisciplinar, interessado em todas as ciências conhecidas e várias que só seriam inventadas séculos depois. Além de artista  talentoso, um engenheiro militar. Lembra o Tony Stark? Imagine então uma mistura de Tony Stark do Robert Downey Jr, Sherlock Holmes do Benedict Cumberbatch e a arrogância merecida do House de Hugh Laurie. Tudo isso com visual de Numb3rs.

Esse é o Leonardo Da Vinci da série do canal Starz.

A série é uma espécie de fantasia histórica, começa em 26/12/1476, com o assassinato do Duque de Milão, desequilibrando as relações entre as várias cidades-estado e colocando Florença dos Médici na mira do Vaticano.

É nela que mora Leonardo, filho bastardo de um funcionário da corte, pintor, inventor, humanista e encrenqueiro. Se você acha que havia climão entre Tony Stark e o pai, na série Leonardo é torturado por seu genitor. Os jantares de Natal devem ser fantástico na casa deles.

No meio de intrigas da corte dignas de Game of Thrones, Leonardo arruma tempo pra passar o pincel na amante de Lorenzo de Médici, se tornar inimigo mortal do Lorde Girolamo Riario (e por extensão do Papa Sixtus IV), se envolver com uma ordem secreta que existiu de verdade, fumar cachimbo de artista com um sujeito misterioso que fala coisas dignas da Teoria Quântica E, na parte da tarde criar invenções geniais.

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No primeiro episódio ele é contratado muito a contra-gosto para produzir uma columbina, uma pomba mecânica para comemorar um feriado religioso. Até então as pombas eram presas a um cabo e não exatamente impressionavam. Ele propõe uma pomba autônoma, com fogos de artifício, o Duque topa, mas assim como Ruby a pomba não escala.

Leonardo começa a bater cabeça, até que compra e solta vários pássaros no mercado. Em uma cena linda ele analisa o vôo das aves, a imagem intercala entre câmera lenta e ilustrações do que se tornaria o Códice do Vôo dos Pássaros, um pequeno tratado onde Da Vinci determinou inclusive que o centro de gravidade nas aves não é o centro de pressão. Isso em 1505, sem câmera lenta, aliás sem câmera nenhuma:

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No segundo episódio ele vende seus serviços como engenheiro militar para Lorenzo de Médici, e sem dar spoilers, digamos que manda muito bem. E bota na conta do Papa.

Os autores deixam claro que a série não é um documentário, há uma boa liberdade com datas, a maioria das invenções de Da Vinci nunca saiu do papel, mas ao que me consta 24 Horas também não é exatamente fiel à realidade.

Da Vinci’s Demons é uma fantasia steampunk antes da invenção do vapor, extrapolando as aventuras de um dos maiores gênios da humanidade, repleta de sexo, violência, intriga e posturas estranhamente modernas, mas – no caso – condizentes com a realidade. Da Vinci é mostrado como vegetariano e agnóstico, duas posturas não muito populares em seu tempo (ok, também no nosso).

A ficção é intercalada com fatos históricos, detalhes, como Leonardo ser ambidestro, e invenções e anotações em seus códices.

90% de tudo dito acima se passou nos primeiros dois episódios. A série, co-produzida com a BBC, terá 8 capítulos e já foi renovada para uma segunda temporada.

No Brasil passa toda terça-feira, 22h no Canal Fox. Na locadora do Paulo Coelho, está disponível quando você quiser.

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