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Quando foi que nos tornamos luditas e passamos a odiar o Novo?

Velhos portais sentem medo dos novos drones brasileiros e haters de internet querem matar o Google Glass antes do nascimento.

6 anos e meio atrás

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Quase toda tecnologia nova traz consigo um monte de críticas e medo do novo. As afirmações ironicamente são sempre as mesmas: Trazem uma vantagem injusta, desumanizam uma atividade, aumentam as capacidades dos poderosos…

Podemos falar da introdução da metralhadora ou do tanque de guerra, mas quando as balestras começaram a se popularizar os cavaleiros E arqueiros denunciaram o fim da nobreza na guerra, agora um camponês com um mínimo de treinamento era capaz de acertar um alvo.

Hoje os drones são os vilões da vez. O G1 fez uma matéria falando dos mais de 200 existentes no Brasil, sem explicar que 99% não passam de aviões de controle remoto de brinquedo, preferiram associar a Reapers Assassinos armados até os dentes.

Antes a tecnologia maligna do dia eram as câmeras de vídeo, que iriam acabar com nossa privacidade e transformar todos os governos do mundo em monstros autoritários que dariam medo nos Illuminati, se não fossem eles por trás do plano desde o começo.

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Essa desconfiança com o novo agora chegou a um nível nunca visto, com todo mundo unindo armas contra o Google Glass, aqueles óculos de realidade aumentada que custarão uma fortuna, serão bem mais limitados do que imaginamos mas todo True Geek está doido pra botar a mão.

Não são só os haters de sempre. Bares já instituíram políticas banindo o (futuro) uso do Google Glass em seus ambientes. Há políticos criando Leis para proibir o uso do Google Glass dirigindo. Blogs insuspeitos, que sempre defenderam tecnologia apontam para as terríveis violações de privacidade do brinquedo do Google. Céus, há até um movimento organizado, Stop The Cyborgs.

Mal sabem eles que resistance is futile.

Se as vantagens do Google Glass superarem os inconvenientes, ele vai pegar. O Smartphone, o celular é algo utilíssimo, compensa de longe o chefe ligando quando já estou no carro indo pra casa (e mesmo assim disse que estava entrando no túnel). Se a sua mulher neurótica liga a cada 5min quando você está num happy hour com um amigo, a culpa não é da tecnologia, se não existisse celular você provavelmente estaria encoleirado em casa, de qualquer forma.

O Google Glass não é mais violação de privacidade do que alguém tirando uma foto de um bar e pegando gente ao fundo. Hoje em qualquer bar remotamente civilizado pessoas conversas e ao mesmo tempo compartilham suas atividades em redes sociais. Privacidade é um conceito mutável, mas mesmo que não fosse, é complicado querer privacidade em um local público.

Iremos, claro, desenvolver novas regras sociais para lidar com o Google Glass, como desenvolvemos para o smartphone. Eu mesmo levei um bom tempo para perceber que entrar no banheiro público com um smartphone na mão é ótimo pra passar a imagem de manja-jeba. Provavelmente não entraria com um Google Glass.

Ninguém se preocupa com um celular na mesa, mesmo ele teoricamente podendo estar gravando a conversa. É uma arma que todo mundo tem, então seguindo as regras da MAD – Destruição Mútua Assegurada, popular na Guerra Fria, convenciona-se que é melhor não usar.

Quando e se o Google Glass deixar de ser novidade, provavelmente iremos tratá-lo como mais uma tecnologia, sem a histeria com que estão anunciando o apocalipse causado por esse gadget que a rigor ainda não existe.

Ou então vamos simplesmente matá-lo ainda no útero, criando uma tendência e então ficará claro o porquê de não podermos ter coisas legais.

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