Quando Sir Arthur Clarke inventou o iPad e os comentaristas de Internet

Arthur C Clarke Clarke shirtEm 1945 a revista Wireless World publicava um artigo sobre “relés extra-terrestres”, nome pomposo para estações de retransmissão de sinais de rádio em órbita geoestacionária. Esse artigo definia, incluindo a matemática, boa parte de tudo necessário para você assistir Sky hoje, se não estiver chovendo.

É seguro dizer que a sua antena está apontada para um satélite “parado” em relação à Terra, em um plano a 36.500km de altitude. É a chamada Órbita de Clarke, em homenagem ao criador do artigo, o escritor de ficção científica, físico e matemático Arthur C. Clarke.

Ele era famoso por suas “previsões”, como Internet e smartphones, mas algumas chegam a ser impressionantes em sua precisão. Veja estre trecho de 2001 – Uma Odisséia no Espaço, de 1968.

“Sem sair de sua poltrona, podia ocupar-se com várias coisas. Quando estivesse cansado de relatórios oficiais, memorandos e atas, ligaria o Newspad no circuito de informações da espaçonave e passaria os olhos pelas últimas notícias da Terra. Entraria em contato com cada um dos principais jornais eletrônicos. Sabia de cor o prefixo dos mais importantes e nem precisava consultar a lista fornecida para esse fim.

Ligando a unidade de memória do aparelho, veria a primeira página do jornal escolhido e anotaria os tópicos que lhe interessassem. Cada manchete possuía um código de dois  algarismos. Era só marcar o número desejado para que o pequeno retângulo do tamanho de um selo aumentasse até ocupar toda a tela, formando uma imagem nítida e fácil de ler. Quando terminasse a leitura, faria voltar à tela a página completa e selecionaria outro assunto para exame mais detalhado.

Floyd pensou consigo mesmo que talvez aquele aparelho, apesar da extraordinária tecnologia necessária ao seu funcionamento, não fosse ainda a última palavra na eterna busca do Homem, em seu desejo de comunicações mais perfeitas. Aqui estava ele, em pleno espaço, afastando-se da Terra a uma velocidade de milhares de quilômetros por hora e, no entanto, podia, em fração de segundo, ver as manchetes de qualquer jornal. (Pensando bem, os próprios jornais eram anacrônicos na era da eletrônica.) As notícias eram atualizadas de hora em hora. Ainda que alguém lesse apenas o texto em inglês, poderia passar a vida inteira sem outra ocupação senão ver a sempre renovada torrente de informações enviadas pelos satélites transmissores.

Era difícil imaginar que o sistema pudesse ser mais aperfeiçoado ou tornado mais prático. Porém mais cedo ou mais tarde, pensava Floyd, acabaria sendo substituído por algum novo aparelho, tão impossível de ser imaginado quanto teria sido o noticioso eletrônico para Caxton ou Gutemberg.”

Se você já acha que Clarke descreveu basicamente um tablet, prepare-se. No mesmo texto ele consegue descrever com precisão o atual estado da Internet:

“Outro pensamento vinha-lhe à mente ao ler as pequeninas manchetes eletrônicas. À medida que os meios de comunicação se tornavam cada vez mais extraordinários, seus conteúdos pareciam cada vez mais banais, escandalosas ou deprimentes.”

1968. Se fosse escrito ontem ainda seria atual. Clarke era um gênio. E um bruxo.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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