NASA voltará a produzir plutônio

pu238

Talvez em 1985 se comprasse plutônio em farmácias, mas hoje em dia não é tão simples botar as mãos em alguns quilogramas de Pu-238, e isso para a NASA é um problema, pois precisa desse elemento para suas missões.

Calma, como expliquei neste artigo, a NASA não usa reatores nucleares na Curiosity nem em nenhuma de suas naves. Não que não tenha sido tentado. Em 1965 os americanos testaram um satélite com um reator nuclear, o SNAP-10A, e entre 1967 e 1988 a União Soviética colocou em órbita nada menos que 33 satélites alimentados por reatores nucleares. Sim, houve acidentes, contaminação, a festa toda.

Os RTGs — radioisotope thermoelectric generators não tem nada a ver com isso. Não funcionam com fissão nuclear, não atingem massa crítica nem explodem. Se resumem a usar o efeito Peltier-Seebeck, que aprendemos no colégio: um conjunto de dois condutores diferentes, quando aquecidos, produzem uma corrente elétrica. Os RTGs são basicamente isso: pedrinhas que geram calor por decaimento radioativo (como a de PuO2 acima) junto de condutores.

Com a meia-vida de 88 anos do Pu-238, um gerador desses funciona por um LONGO tempo. A Voyager 1, lançada em 1977 e dotada de 3 RTGs terá energia pelo menos até 2025.

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Aqui podemos ver, no canto esquerdo o cilindro preto com aletas de resfriamento, é o RTG da New Horizons, sonda lançada em 2006 e que se tudo der certo passará por Plutão em 2015. São 11 kg de plutônio que além de energia elétrica ajudam no aquecimento da sonda, mesmo truque usado pela Curiosity.

O lado ruim é que com tantas missões a NASA ficou sem plutônio, por vários anos comprava dos russos, na falta dos líbios. Com o fim do acordo em 2010, tiveram que correr atrás, chegando a reciclar plutônio de missões canceladas.

Agora iniciaram um projeto junto com o Departamento de Energia para produzir 1,5 kg por ano. Não resolverá o problema, mas amenizará a situação. Nas condições atuais o estoque da NASA dura até 2020.

É possível criar RTGs com outros isótopos, mas o Pu-238 é o ideal, pois a maior parte de sua emissão radioativa é de partículas alfa: núcleos de hélio, com dois prótons e dois nêutrons. Uma folha de papel é suficiente para bloqueá-las, o único risco é se você for burro o bastante para comer o plutônio.

Claro, se começarmos a lançar missões tripuladas, ou mais sondas para o Sistema Solar exterior, onde painéis solares não funcionam direito, teremos uma escassez de combustível, e aí, senta e chora. Mesmo os russos pararam de produzir Pu-238.

Fonte: ET.

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Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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