Por mais legal que possa vir a ser, o suposto iWatch ainda soa como o futuro visto do passado

Penny's smartwatch

Quando eu era moleque um dos meus desenhos favoritos foi o Inspetor Bugiganga (que rendeu um filme extremamente sem graça com Matthew Broderick, acho que ele gastou todos os pontos que tinha pra vida inteira na ficha do Ferris Bueller): era insanamente divertido do ponto de vista de uma criança ver o quão tapado e ingênuo ele era, ao ponto de não identificar o vilão do dia mesmo se ele esfregasse o símbolo da M.A.D. no nariz dele (o que de fato ocorria direto).
Sobrava para sua sobrinha Penny e seu cachorro Crânio salvarem a situação (e o tio Bugiganga!) utilizando de dois gadgets que a menina possuía: um livro-computador e um relógio-comunicador com tela e rádio, com o qual ela coordenava as ações do seu parceiro para salvar o atrapalhado herói, que nunca percebia que estava sendo ajudado.

Na época o aparelhinho era sensacional. O processamento pesado ficava por conta do livro (mas os aparelhos não conversavam entre si), que numa analogia atual seria algo como o iPad ou o iPhone e o tal iWatch, o suposto próximo lançamento da Apple.

Hoje o mercado diz que Cupertino tem que lançar o reloginho esperto, pois os usuários “anseiam por uma nova revolução”. Mas esse produto é realmente necessário?

No meu ponto de vista, não. Eu ainda uso um relógio de pulso (um Orient automático, só para soar mais antiquado ainda) quase que unicamente por motivos estéticos. Claro que consulto as horas nele de forma mais prática do que no smartphone (até porque eu durmo com ele), mas não consigo me imaginar usando uma extensão do celular no pulso. O ato de tirar o aparelho do bolso não é tão incômodo a ponto de justificar para mim o mote de “manter as mãos livres”.

Dick Tracy's Watch

Parece mais uma necessidade que tínhamos no passado de tornar esse produto-conceito uma realidade, não que ele seja necessário em si. Se nos anos 80 eu achava fantástico o reloginho da Penny, muitos num tempo anterior devem ter pirado com o videophone do Dick Tracy ou os relógios multi-função do James Bond. É algo que era legal na época e nos fazia imaginar o quão fantástico o futuro seria, mas hoje, com a possibilidade de fazê-lo, não parece grande coisa.

Talvez eu seja o errado nessa história. As empresas entenderam que não compensa prender um aparelho celular no pulso, e chegaram num meio termo: uma extensão do smartphone que permita acessá-lo sem que você o tire do bolso. A Sony possui um modelo que sincroniza com o Android, e hoje a Samsung anunciou que também vai entrar na festa. Pelo menos eles aprenderam a lição e não vão aparecer com outro gadget esquisito tal qual o S9110 que ela lançou em 2009:

Samsung S9110

Essa monstruosidade era um watchphone de fato, e possuía especificações medíocres mesmo para a época: com memória interna de 40 MB e display de 176 × 220 pixels, teve um lançamento limitado e logo foi varrido para debaixo do tapete da Samsung.

Me parece que as empresas estão se antecipando a um provável lançamento da Apple, e pior, nada garante que o iWatch seja mesmo lançado. Só existem mockups internet afora, e levando em conta que lançamentos da empresa tem a tendência a vazarem como numa represa rachada, esse silêncio chega a ser estranho.

Eu não sou absolutamente contra a ideia de um relógio de pulso se tornar uma extensão do celular, mas a tendência é de cada vez termos menos gadgets, não o contrário. Eu tive dois iPods Touch e depois de destruir ambos (não pergunte!) eu cogitei comprar um terceiro, mas me convenci de que o smartphone era mais do que suficiente, e o problema de bateria foi contornado com o carregador e uma tomada na minha mesa. Se os usuários vão abraçar a ideia ou se será só fogo de palha, saberemos em breve.

Fonte: BB.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Profissional de TI auto-didata, blogueiro que acha que é jornalista e careca por opção. Autor do Meio Bit e Portal Deviante, podcaster/membro fundador/Mestre Ancião do SciCast e host/podcaster do Sala da Justiça.

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