Como seria despertar num mundo 25 anos mais avançado tecnologicamente?

A situação é conhecida de todos que lêem quadrinhos, e foi bem adaptada na cena dirigida por Joss Whedon (apesar do filme ter ficado a cargo de Joe Johnston): após passar décadas congelado, Steve Rogers (a.k.a. Capitão América) acorda num mundo muito diferente do que ele lutou para proteger, tão avançado, com pessoas e modismos tão diferentes e tão cheio de novos sons e imagens que ele leva tempo, muito tempo para se adaptar. Stan Lee explorou essa vibe do Capitão por anos, de um homem deslocado, fora de sua época, tentando encontrar seu lugar num mundo que precisava de sua presença (piegas, mas foi assim que Stan definiu o retorno do bandeiroso).

Salvo o fato de ficar preso num bloco de gelo, um homem passou por algo parecido e relatou suas impressões sobre o salto tecnológico que demos entre 1987 e 2012, período esse em que ele esteve na prisão.

Michael Santos foi preso por tráfico de drogas em 1987 e sentenciado a 45 anos de prisão, e desses cumpriu 25 em penitenciárias de diversos níveis. Ele comenta que no ano em que foi enjaulado, ele possuía um celular da Motorola da linha DynaTAC, inaugurada com o modelo 8000x, o primeiro telefone móvel do mundo, apresentado em 1973. Computador? Ele tinha o fantástico IBM PC 5150, com incríveis 64kB de memória (expansíveis até 256kB).

Eu até mencionaria o fato dele ter uma impressora matricial na época, mas elas ainda são muito utilizadas por aqui (no lugar que eu trabalho usam inclusive máquinas de escrever de vez em quando).

Michael passou os anos em que cumpriu pena lendo sobre, entre outras coisas, tecnologia. Mas convenhamos que ler e usar são mundos, universos diferentes. Eu mesmo pastei muito na época comecei a trabalhar com computadores aos 16 anos, sem ter um PC em casa e tendo apenas lido sobre, e vivi essa realidade por vários anos até adquirir meu primeiro terminal. Conseguiu imaginar isso? Agora pense em alguém que de repente é posto na rua após um quarto de século vendo o Sol nascer quadrado, se na época tínhamos isto:

E hoje temos isto:

A comparação chega a ser abissal. Imagine alguém que lê sobre a palavra “browser” e não entende o que ela significa, confundindo ela com a barra de URL. Quando a esposa de Michael explicou a ele que o era um programa e servia para acessar a internet, eu consigo imaginar a cara de paisagem que ele diz ter feito.

Fazendo um exercício de imaginação, eu consigo visualizar a tecnologia que eu tinha ao alcance em 1987, à época com 7 anos. De uma TV Linytron de 16″ exatamente como esta, para uma LED de 40″ 3D e tudo o mais. Do Atari para o PS3. De uma geladeira comum para um freezer com uma torneira na porta. De um rádio toca-fitas para streaming. De LPs para MP3. Parece bobo e é, mas apenas para nós que acompanhamos a evolução. Que vimos tudo o que fizemos como espécie para estarmos onde estamos. De termos saído de uma realidade em que sofríamos com a ameaça da Aids e o AZT acabava de chegar ao mercado, para hoje termos a notícia de que podem ter descoberto a cura.

Como eu e todos nós vimos a evolução diante dos nossos olhos, aceitamos tudo normalmente. Mas se eu fosse adulto na época e caísse de paraquedas na situação atual após décadas afastado (ou em coma, ou numa caverna, escolha uma), eu entraria em choque, depois me sentiria completamente deslocado. Michael passou por isso e está se adaptando aos poucos aos nosso Admirável Mundo Novo (que é realmente novo para ele).

E isso é o mais incrível: por estarmos vendo isso todos os dias, nós não percebemos o quanto evoluímos. É banal, corriqueiro, mas se pararmos um minuto e vermos o longo caminho que percorremos até aqui, nos daremos conta de quão incrível é a ciência, o avanço tecnológico que nos permitiu chegar à Lua com computadores com poder de processamento menor do que um relógio de pulso de hoje; que criamos robôs quase auto-suficientes mas também construímos um WREX de ABS e usando de conhecimentos de física e matemática disponíveis há milênios, fazemos uma garotinha voltar a sorrir ao lhe permitir ser criança.

Eu entendo que muita gente sente saudade do passado. Eu não sinto nenhuma. Acho legal admirar coisas antigas, clássicas, até tenho alguns ataques de nostalgia, mas logo passa. O que deixamos para trás serve de curiosidade e aprendizado. Quem vive de passado é museu (clichê, mas é verdade). O tempo passou, nós seguimos em frente. Se em 25 anos evoluímos tanto assim, quem sabe o que os próximos 25 anos nos reservam?

E o mais interessante é: se nós passarmos pelos próximos 30 anos, não há razão para que nós não possamos subir a um platô de onde observaremos a raça humana durar, talvez, indefinidamente… até evoluir para algo melhor… e se espalhar pelo espaço.

Nós temos o poder de escolher entre o nada e o infinito. E o mais fascinante disso tudo é que vocês jovens, presentes aqui hoje, ainda estarão na meia-idade quando descobrirem qual escolha foi feita.” (Issac Asimov)

Fonte: Quora.

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Autor: Ronaldo Gogoni

Um cara normal até segunda ordem. Além do MeioBit dou meus pitacos eventuais como podcaster do #Scicast, no Portal Deviante.

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