Programa ALEXA de Radioexploração Espacial

O programa ALEXA de Radioexploração Espacial foi criado pelo Tulio Baars, um jovem brasileiro de 16 anos de Santa Catarina (Presidente Getúlio). Preciso fazer duas considerações antes de iniciar o artigo. A primeira é que eu fiquei bastante feliz e motivado em ver que um jovem de 16 anos, trocando o modismo da maioria dos jovens de mesma idade, decidiu de uma forma indireta, beneficiar a ciência/astronomia brasileira com um projeto independente. A segunda foi de ficar muito mais feliz em ver um projeto científico e tecnológico no Catarse.

Sua iniciativa é instalar e operar um Radiotelescópio em uma região extremamente favorável para monitorar a atividade de alguns corpos celestes com variados objetivos (explicarei mais sobre objetivos adiante). Apesar dele estar trabalhado sozinho no momento, o projeto é aberto a colaboradores de diversas áreas de conhecimento, assim como empresas e interessados em contribuir para esta iniciativa pioneira no país.

Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Fonte: NASA)

Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Fonte: NASA)



O Harvey I, o primeiro radiotelescópio de ondas curtas do Brasil, foi cedido pela NASA ao projeto, ficará em Santa Catarina e está localizado no centro do pico da AMAS [Anomalia Magnética do Atlântico Sul]. Esta anomalia faz com que o Cinturão de Van Allen, que é uma segunda ionosfera carregada de partículas ionizadas – prótons em sua vasta maioria – fique muito mais próximo da Terra, dificultando o funcionamento de satélites sub e orbitais (assim com a ISS e o Hubble) com inclinações orbitais de 35º a 60º pois estariam expostos a níveis absurdamente altos de radiação. Por isso, são poucas as rotas de satélites que passam na região, resultado em um menor nível de ruído e de interferência.

Preciso lembrar que a ciência no Brasil sofre grande descaso? E que o projeto está sendo realizado de forma “privada”, recebendo apoio de pessoas como você? Que o Governo só “prestou apoio” de uma forma: cobrando imposto?

Os objetivos do programa incluem:

  • recepção, leitura, análise e processamento de sinais de rádio provindos do planeta Júpiter, afim de determinar a ocorrência de tempestades, impactos de meteoritos e análise da composição química do planeta com base na identidade sísmica dos impactos
  • recepção, leitura, análise e processamento de sinais de rádio recebidos de pulsares e radiação cósmica de fundo para contribuir na Busca por Inteligência Extra Terrestre (SETI) e ceder dados de leitura e recursos computacionais ao SETI
  • monitoramento, recepção, análise e processamento de leituras de atividades solares, com o objetivo de aprimorar os atuais sistemas de previsão de tempestades solares, rajadas (Bursts e Flares) e ventos solares, que podem vir a intervir e até colapsar todos os sistemas de telecomunicações terrestres
  • monitoramento e análise de mecanismos de emissão de ventos solares e seus efeitos nas interações entre o Cinturão de Van-Allen e Ionosfera, para aprimoramento dos sistemas de telecomunicações orbitais.

O ano certo para esse projeto é 2013, quando o Sol entrará em seu período de pico em maio. O programa ALEXA pretende realizar observações destes fenômenos em uma localização privilegiada e com recursos tecnológicos superiores aos do último pico, sendo pioneiro mundial na utilização da AMAS para Radiotelescopia.

Tulio Baars

Tulio Baars

O Tulio Baars conseguiu três radiotelescópios, sendo um doado pela S.A.R.A. da NASA para monitoramento do Sol e Júpiter e aquisição de dados para o programa SETI e que será usado no projeto Harvey I. E os outros dois foram doados pelo Solar Research Center da University of Stanford e que será usado para o projeto Harvey II para monitoramento dos efeitos de tempestades e ventos solares na ionosfera terrestre e as suas interações com o Cinturão de Van-Allen, para pesquisas e desenvolvimento de sistemas de proteção para satélites de telecomunicações, equipamentos e antenas de telecomunicações terrestres.

Mesmo o projeto tá tendo alcançado seu objetivo, creio que seja válido doarmos mais, para que ele consiga obter a segunda parte do projeto, que consistem em:

R$ 1.800,00 para aquisição de um sistema de alimentação solar completo com baterias para o radiotelescópio móvel (um dos de Stanford pode ser desmontado e colocado em um carro);

R$ 500,00 para estruturação básica do laboratório móvel (gazebo, mesa, cadeiras de plástico, base das placas solares);

R$ 1.000,00 para aquisição de um sistema de estação metereológica e aviso de tempestades, para podermos prevenir acidentes baixando os mastros de antena.

E se ultrapassar isso ainda, ainda nos falta um computador exclusivo ao projeto, um monitor, osciloscópio, freqüencímetro, gerador de funções… várias coisas para equipar bem o lab!

Conversei com o Tulio e para não estender este artigo, publicarei outro artigo contendo nossa rápida entrevista. 😉

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Autor: Yeltsin Lima

Estudante de Publicidade e Propaganda, Web Developer, gosta de escrever sobre tecnologia e raramente (agora) sobre ciência. Não sabe escrever biografias, muito menos a própria.

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