Quanto você pensa que vale?

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Quando cheguei aqui em Los Angeles, eu não tinha uma perspectiva muito grande de crescimento (e ainda não tenho, continuo pobre). Tanto que estou com passagem comprada de volta ao Brasil. O que eu vou levar na minha bagagem? Quase quatro meses de experiência, conhecimento (cerca de 25 livros alugados e lidos) e muita idéia para aplicar no Brasil. Visitei muitas empresas e espaços de coworking aqui nos Estados Unidos, mas o que eu mais achei interessante (e ao mesmo tempo assustador) foi o mercado crescente de leads.

Em jornalismo, lead é a primeira parte da notícia, geralmente posta em destaque relativo, que fornece ao leitor a informação básica sobre o tema e pretende prender-lhe o interesse. Apesar de estar falando também de comunicação, eu estou falando de outra área: a publicidade. O lead nesse caso, é um “contato novo” que a empresa recebe. Ele pode ser ou não um novo cliente, mas existem grandes chances dele se tornar um novo cliente. E qual a aplicabilidade do lead nesse artigo?

Quando ficamos com um pé atrás sobre o Facebook, pelo fato de ele “compartilhar” suas informações com empresas, ele não o faz diretamente. Ele vende a informação estatística sua, mas que não pode lhe identificar. Ele vende que você é de São Paulo, tem entre 25 e 35 anos, é solteiro e curte a página do Meio Bit, Engadget, The Verge. O “Feice” permite que o anunciante entre com essas informações, mas o anunciante não pode, por exemplo, direcionar a propaganda para “Emanuel Laguna”, nem para “Yeltsin Lima”, nem para “Carlos Cardoso”.

O mesmo ocorre para diversas outros websites como o Google, PlentyOfFish, Twitter. Enfim, uma variedade de empresas. E quando esse anúncio vem direcionado diretamente para você? Como aqueles SPAM que você recebe? Felizmente no Brasil não temos (creio que até seja proibido) o SPAM por correio. É tanto SPAM que você corre o risco de jogar as cartas de verdade no lixo e deixar os SPAM em cima da sua mesa. Como ele obtém os seus dados? Obviamente você deve ter se registrado em algum site e esquecido de marcar a opção de “eu não quero receber e-mails nem correspondências da sua empresa”.

E quando você sabe que está se registrando em um site, esperando receber tal informação, mas não faz a menor idéia de que o mundo todo está conspirando contra você? Bem-vindo ao mundo do Lead Generation. Funciona assim: eu monto um website oferecendo vagas de empregos em Los Angeles. Ele exibe uma lista com o título da oferta e a cidade. Mas para você visualizar quanto é o salário e qual é a empresa, você precisa se registrar “gratuitamente” no website. Registrou? Parabéns, você acaba de virar um lead. Por mais que o website seja real e o conteúdo também, você acaba de deixar alguém US$1 ou até US$100 mais rico, agora expanda isso para 1.000 usuários se registrando todos os dias e você já percebe os números.

Os leads são usuários de high profile, são bem mais selecionados do que o Facebook e são exatamente o que determinadas empresas estão procurando. Empresas de seguro chegam a pagar US$70 ou mais por lead. O valor alto é em decorrência da dificuldade em se conseguir leads “que prestem”. Existem faculdades montadas com o único objetivo de arrecadar a maior quantidade de dinheiro possível. O ensino? Eu nunca vi nenhuma dessas faculdades saírem em nenhum ranking das “melhores faculdades da Califórnia”, por exemplo. O mais comum são leads de produtos de saúde, e o valor pode variar de US$1 para até US$50 por lead.

Em contato com uma pessoa de uma empresa desse tipo, ele me contou que uma empresa conseguiu que ele conhece conseguiu gerar em torno de 22 milhões de dólares apenas com lead generation. E, detalhe, a empresa agora trabalha como um call center, vendendo “bolsas” em faculdades chamadas for-profit college. A Wikipédia tem um artigo interessante e a Forbes também. Eu vi diversas semelhanças entre esse tipo de faculdade e uma faculdade bem popular em Pernambuco.

Eu ainda não vi sinais desse mercado no Brasil. Pode até existir, mas não é tão evidente como nos Estados Unidos. Claro que no Brasil, o que é bem popular é algo chamado TelexFree (eles tem website, mas eu não vou colocar). Todos dizem que não, não é um programa de “pirâmide”. Bom, eu não vou estender esse artigo, mas eu vou sim falar sobre ele em um próximo. Mas lhe adianto uma coisa: TelexFree é sim um programa de pirâmide.

Pergunta aos publicitários e para o pessoal que trabalha com marketing digital: vocês conhecem o mercado de Lead Generation no Brasil? Ele gera tantos lucros como nos Estados Unidos?

Referências:

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Autor: Yeltsin Lima

Estudante de Publicidade e Propaganda, Web Developer, gosta de escrever sobre tecnologia e raramente (agora) sobre ciência. Não sabe escrever biografias, muito menos a própria.

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