Tragédia em Santa Maria – Onde está o poder das redes sociais?

Muito se fala da revolução da Internet e do “poder das redes sociais”. Hoje, com essa tragédia sem precedentes que ocorreu em Santa Maria – RS vimos um pouco de tudo. É normal em momentos de grande comoção os ânimos ficarem exaltados, para o bem ou para o mal. E conforme escrevi em outro post, em situações como essas a razão fica em segundo plano. A emoção toma conta do raciocínio e busca apenas validar as crenças pré-existentes.

No caso do incêndio que matou mais de 200 jovens, as reações em redes sociais foram bem previsíveis. Pessoas indignadas, pessoas reclamando das pessoas indignadas alegando que elas não tem ligação com as vítimas e portanto, não poderiam sentir pelo ocorrido. Pessoas fazendo piadas de gosto duvidoso. Pessoas se ofendendo com as piadas. Religiosos dizendo que foi punição de Deus para com os “pecadores” que estavam se divertindo ao invés de buscar Jesus. Enfim, um monte de lixo e ruído em uma situação onde o mais importante era passar informações sobre o ocorrido e sobre como ajudar da melhor forma.

luto

Sempre encontramos pessoas dispostas a ajudar, divulgando links, telefones, fazendo doações e algumas se voluntariando in loco (algo que não é possível para a maioria, por questões geográficas). Mas a tal da revolução silenciosa das redes sociais passa despercebida diante da enxurrada de bobagem que circula pelas redes. Em questão de minutos, o Facebook estava inundado de montagens religiosas, de pessoas culpando e condenando o dono da boate, dizendo que a polícia agiu errado, fazendo afirmações levianas sobre um assunto que desconheciam, motivadas sabe-se lá pelo quê.

A revolução das redes sociais nunca existiu de fato. Quiçá nunca existirá. Porque as redes sociais são compostas por pessoas. E pessoas são isso aí, cínicas, fanáticas, desapegadas, sem noção, etc. Ela só pode realmente existir e fazer alguma diferença se servir meramente como um apoio a ações reais. Não há mal nenhum em compartilhar um link ou dar like numa postagem. Mas é pura inércia fazer APENAS ISSO e sentir-se com a sensação de dever cumprido. Hoje as pessoas sentem que seu dever foi cumprido com muito pouco. Com um like ou um RT.

Dias atrás, centenas de milhares de pessoas se engajaram numa “causa”. Curtir uma imagem que supostamente faria um garoto conseguir transar com uma amiga. Em questão de horas, o “objetivo” foi atingido. Hoje, diante dessa tragédia que arrasou uma cidade inteira, destruiu famílias e obrigou pais a reconhecerem os próprios filhos carbonizados, tivemos que filtrar milhares de mensagens para poder obter informações úteis e repassar em meio a um festival de agressões, palavrões, “piadas” e demonstração de falta de sensibilidade.

Seja qual for a rede social, repleta de pessoas, o comportamento do organismo funcionará da mesma forma como funciona aqui, fora dos computadores. O meio virtual apenas “digitaliza” o caráter das pessoas. Por maior que seja o fingimento, o comportamento apresentado é real.

É triste saber que nem uma tragédia dessa proporção consegue unir as pessoas. E que não dá pra esperar nada muito diferente disso, só lamentar. Lamentar muito.

Se você pretende ajudar de alguma forma, neste link estão reunidas todas as informações necessárias.

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Autor: Marcel Dias

Pai, marido e sedentário.

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