O fim do mundo foi anteontem (em Minas Gerais)

Como alguns de vocês devem saber, eu estou morando em Los Angeles. E a Califórnia é muito bem conhecida por ter bastante terremoto. Comunicando-me com minha mãe que está em Recife, eu contei para ela (brincando, claro) sobre o “fim do mundo em 2012”. Hoje ela me ligou para avisar sobre o terremoto que aconteceu em Minas Gerais, chuva em São Paulo e um suposto vulcão na Rússia. Acidentes naturais acontecem todos os dias, nós apenas não prestamos atenção à eles.

Lendo um livro: “How To Get Ideas” do Jack Foster, dá para se ter uma noção do que eu estou falando. Em uma parte do livro ele diz: “Se você quer comprar um carro X, você passará a ver mais freqüentemente este carro X. Isso significa que só por que você demonstrou interesse nesse carro, o número dele aumentou? Não, os carros sempre estiveram ali, você apenas não enxergava-os”. Ocorre basicamente o mesmo com desastres naturais: por conta da atenção da imprensa, é criado todo um circo de terror em volta daquela história. A mídia deveria servir para informar as pessoas e não assustá-las.

O que aconteceu em Minas Gerais pode ter sido um caso bem isolado. Bom lembrar que todos nós estamos em cima de gigantes placas tectônicas. Algumas são mais suscetíveis à colisões, resultando em terremotos e vulcões, enquanto outras possuem leve ou moderada atividade. E sabe o que é mais engraçado? Eu peguei uma imagem em um blog chamado Gnosis Online, cujo assunto é: Fim dos Tempos.

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O texto foi todo produzido com um objetivo: tentar explicar o fim do mundo. Já começando com o título: Incrível aumento do número de terremotos. Ele conta desde o século I. Será que você está pensando no mesmo que eu estou pensando? A velha escala Richter foi proposta em 1935 e ela pretendia apenas medir os abalos sísmicos do sul da Califórnia. Órgãos como o brasileiro “Observatório Sismológico” foram criados nos anos 60, o mesmo ocorreu com o órgão United States Geological Survey’s. Ou seja, basicamente, a maioria dos órgãos de medição começaram a ser implantados no século XX. É óbvio que o número de terremotos do século I ao século XVIII era pequeno, não tínhamos como medí-los ainda!

O OBSIS ainda fez um favor gigante para minha pesquisa e colocou os últimos terremotos no Brasil. O terremoto do dia 19 de dezembro em Montes Claros foi de 3,9 graus na escala MW. O tremor foi tão irrelevante que só apareceu nos sites brasileiros, pois os sites internacionais só exibem tremores 5+ na escala MW (segundo uma informação que vi no próprio site da OBSIS). O mais engraçado é saber que houve outro tremor de 2,3 graus em 15 de agosto, mais um de 2,9 graus em 12 de setembro, um terceiro de 1,9 graus em 17 de outubro e outro de 2,3 graus na escala MW em 15 de novembro de 2012. O interessante é que apenas o mais recente fôra largamente noticiado pela imprensa no país.

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Qualquer país em qualquer lugar do mundo é susceptível a ter terremotos: estamos morando em cima de malditas placas tectônicas e há também várias falhas geológicas por aí! O problema é simples: o Brasil não tem nenhuma estrutura para receber este tipo de evento. Sim, você pode aplicar esta frase para qualquer tipo de evento, de Copa do Mundo até terremotos. É por isso que casas são interditadas com um tremor de 3,9 graus na tal escala de magnitude de momento sísmico. Oito casas ficaram condenadas com o terremoto naquela região mineira, onde há uma falha geológica. Duas precisam ser totalmente demolidas e seis precisam ser reformadas. Imagine um terremoto maior: a cidade toda vai para o chão!

É exatamente por esse fator, pela falta de preparo das cidades e principalmente pela grande atenção da mídia, que as pessoas ficam assustadas com as tais profecias maias do “Fim do Mundo em 21 de dezembro de 2012”. Ora, São Paulo é famosa pela chuva. Nos dias em que estive aí, nenhum dia não choveu. Idem para o Rio de Janeiro. Ou da seca no Sergipe. Ou o vulcão na Rússia (a região tem 29 vulcões ativos).

Resumindo: qualquer catástrofe em países de terceiro mundo, sempre é pior do que em países de primeiro mundo. Pelo simples fato de que eles não possuem estrutura para suportar determinados eventos naturais. Claro que um terremoto de 7, 8 ou 9 graus é pior em qualquer tipo de país, mas qualquer dano pode ser minimizado com a engenharia correta e o governo correto.

O pior? É gente pedindo explicação do governo para os terremotos. Eu acho que o governo deveria explicar, oferecendo livros de ciência básica de graça.

OBS: O site do OBSIS não possui nenhuma forma de ajuda para o que fazer em caso de terremotos. Diferentemente do USGS que não apenas possui um espaço para ensinar sobre terremotos como também um guia do que fazer em caso de terremotos.

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Autor: Yeltsin Lima

Estudante de Publicidade e Propaganda, Web Developer, gosta de escrever sobre tecnologia e raramente (agora) sobre ciência. Não sabe escrever biografias, muito menos a própria.

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