Parece Ficção, mas IBM consegue visualizar a Força

A imagem acima não é uma criação de CGI, não veio da Industrial Light & Magic. É incrivelmente real e -ironicamente- decepcionante por alguns segundos. É uma criação do Centro de Nanotecnologia Binnig e Rohrer, em Zurique, com colaboração de pesquisadores chilenos. É parte de uma molécula de C60, ou Buckminsterfullereno,

Ela foi feita com um brinquedo chamado Microscópio de Força Atômica, que por si só já é uma magia negra digna de Lorde Voldemort.

Por muito tempo foi (e ainda é) um fato científico que é impossível visualizar átomos e moléculas, pois o comprimento de onda da luz, e mesmo dos elétrons é grande demais. Para entender: Imagine que você está tentando desenhar uma linha de 1mm de espessura usando uma caneta Pilot de quadro-branco. Não dá, a ponta da caneta é maior do que o objeto desenhado. Por isso inclusive imagens em infravermelho são em baixa resolução: O comprimento de onda é grande, não permite resolver detalhes como a luz visível.

Assim, nunca poderíamos ver átomos, né? Seria, se ciência aceitasse dogmas como barreiras intransponíveis. Dois trapaceiros de nome Gerd Binnig e Heinrich Rohrer, trabalhando pra IBM nos anos 80 tiveram uma idéia de como contornar esse inconveniente, e com isso ganharam o que mereciam: O Nobel de Física de 1986.

A idéia genial parte do princípio de que matéria afeta matéria, mesmo na escala atômica, então utilizam uma sonda movida por um mecanismo piezelétrico imensamente sensível. Quanto a ponta da sonda é afetada, ela vibra. Essa vibração é detectada, armazenada, computada e desenhada. lembram do pantógrafo, aquele brinquedo que a gente usava pra copiar desenhos? É a mesma coisa.

No caso a IBM usou uma sonda cuja ponta é um único átomo uma única molécula de CO, Monóxido de Carbono. Ao passar a uma distância de pentelhonésimos de milímetro da superfície da molécula de C60, forças eletromagnéticas, Van de Waals, efeitos quânticos e midichlorians afetaram a sonda. A precisão dessa vez foi tanta que não só conseguiram visualizar os átomos individuais como as ligações atômicas entre eles. Na imagem, em verde. A técnica consegue identificar ligações com 1/100 do diâmetro do átomo.

Mais ainda: Conseguiram determinar a FORÇA entre as ligações, as mais fortes, com mais elétrons, estão em verde mais claro.

O mais impressionante de tudo é que  as imagens são surpreendentemente próximas dos modelos esquemáticos ensinados nas escolas. isso é o equivalente a observar o Sistema Solar de cima e descobrir que há círculos (ok, elipses) marcando as órbitas dos planetas (dica: não há).

A “decepção” que falei é justamente essa. há uma sensação de anticlimax quando algo tão fantástico quanto uma imagem de uma molécula se mostra familiar a qualquer estudante de Segundo Grau.

Fonte: IBM

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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