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BlackFriday no Brasil mostra problema das infraestruturas de TI

6 anos atrás

Ao que parece, o povo brasileiro nunca teve tanto dinheiro e tanta vontade de consumir (viva a classe média que ganha R$300,00 por mês). A expectativa em torno da moda da "black friday" deixou todos ansiosos por descontos, promoções incríveis e ávidos por fazer seus cartões de crédito chorarem lágrimas de sangue. Porém, ao invés da alegria de comprar aquela TV pra por no corredor entre o quarto e a sala, a tristeza de não conseguir finalizar sequer uma compra. Isso porque os sites dos maiores varejistas simplesmente não aguentaram o tranco.

Eu não estava buscando comprar nada nessa black friday, só se encontrasse uma promoção matadora de fraldas tamanho G a um preço interessante, mas obviamente passei o dia inteiro caçando promoções pra ver se encontrava algo que me faria mudar de ideia. Além disso, tuitava as melhores ofertas para quem quisesse aproveitar. Mas foi uma jornada pra lá de frustrante. Entre todos os sites visitados, encontrei problemas em:

  • Carrefour: passou o dia inteiro offline;
  • Wallmart: instabilidade, lentidão;
  • Fnac: boa parte do dia fora do ar;
  • Balão da Informática: boa parte do dia fora do ar;
  • Submarino: fora do ar em diversos momentos, lentidão e problemas para finalizar a compra;
  • Casas Bahia: só tinha Nintendo 3DS vermelho em promoção.

Rebecca Black - Friday. Agora entendi a conspiração!

O mais incrível é que mesmo assim, o volume de vendas superou o do ano passado em menos de 12h. Imagine se as lojas tivessem se preparado para o aumento no volume de vendas. É compreensível. O tempo para se preparar para um evento desse tipo é curto. As lojas tem apenas 364 dias (365 em anos bissextos) para se planejar para a próxima black friday, com o relógio começando a contar a partir do sábado posterior. Então fica complicado entrar em contato com datacenters, fazer planejamento de carga e capacidade, redundância, contingência, subir umas VMs a mais e todas essas futilidades que a TI demanda por puro luxo.

Imagine que se a infraestrutura de TI estivesse preparada para suportar a carga, o recorde do ano anterior poderia ter sido batido em poucas horas. Fica a lição, que parece ser muito dura (e cara de aprender): planejamento de TI é uma questão de sobrevivência, um dos maiores riscos para o negócio num plano de desastres é a falha completa da TI. Você não pode ignorar algo do qual você depende para sobreviver. Não dá para ficar ordenhando a vaca e esquecer de alimenta-la. Certamente orifícios retrofuriculares estão sendo fagocitados nesse momento, pois uma economia de alguns milhões de reais podem significar a perda de um volume 10x maior de dinheiro em vendas.

Ano que vem veremos se a lição terá sido aprendida (sim, sou um otimista).

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