Não, Obama não vai construir uma base lunar

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Com a vitória de Brack Obama sobre as forças do mal representadas por Mitt Romney o mundo foi salvo, o aquecimento global acabou, gays e cabras podem se casar livremente e a economia americana voltou a crescer. Dizem até que Obama vai finalmente cumprir as promessas de campanha do 1o Mandato.

Junto com essa onda de otimismo veio a história de que a NASA voltaria a seus tempos áureos, e culminando tudo, estabeleceria uma nova presença na Lua.

Aos poucos a história foi crescendo, e agora vários sites falam de uma “Base Lunar”.

Infelizmente não é assim que a banda toca.

 

A verdade é que a tecnologia para estabelecer uma base lunar não existe. Não que seja inalcançável, só depende de dinheiro, dinheiro que não existe. A proposta real é bem mais modesta, envolve a criação de uma estação espacial.

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Menos.

A proposta é criar um habitat para uma tripulação de 3 ou 4 astronautas, acoplada a uma cápsula Orion, que só começará a voar em testes não-tripulados em 2014. Esse habitat seria uma base para avaliar a permanência a longo prazo de humanos no espaço, e seria colocada no ponto Lagrange 2.

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Os pontos Lagrange foram calculados em 1771 por um cidadão de nome (surpresa) Lagrange. São 5 posições entre dois corpos em órbita mútua nas quais um terceiro corpo permaneceria “estático”, com as forças gravitacionais se anulando. Imagine um satélite geoestacionário, com a rotação equivalendo a 24h, mas aplicado a 3 corpos.

São o melhor ponto para uma estação espacial, economizando propelente para correções de órbita.

O ponto que nos interessa é o L2, situado a 60 mil quilômetros da Lua:

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Será a maior distância que humanos já estiveram de seu planeta Natal, demandará muita tecnologia, sistemas redundantes a rodo e acima de tudo coragem, pois se algo der errado NADA poderá ser feito pra ajudar esses caras, mas é um posto avançado, não uma Base Lunar.

A mídia é implacável, e o público hoje anda MUITO chato. Quando a NASA transmitiu ao vivo o incrível pouso da Curiosity, assim que o robô transmitiu os primeiros thumbnails para indicar que tudo havia corrido bem, milhares e milhares de idiotas começaram a xingar muito no Twitter, explicações de que aquelas primeiras imagens eram minúsculas propositalmente eram afogadas em um mar de recalque e frustração.

Exploração espacial se dá a passos lentos, o caminho mais certo para o desastre é apressar os cronogramas. Que o diga o desastre da Apollo I. Uma base lunar seria ótimo, uma viagem a Marte mais ainda, mas é preferível que isso seja feito quando houver segurança. Segurança essa que será conquistada com o aprendizado em missões como esse Posto Avançado, que não é nada não é nada, é muito mais distante do que o que temos hoje, quando os humanos mais distantes da Terra estão a uma distância menor do que Rio-São Paulo.

Autor: Carlos Cardoso

Entusiasta de tecnologia, tiete de Sagan e Clarke, micreiro, hobbysta de eletrônica pré-pic, analista de sistemas e contínuo high-tech. Cardoso escreve sobre informática desde antes da Internet, tendo publicado mais de 10 livros cobrindo de PDAs e Flash até Linux. Divide seu tempo entre escrever para o MeioBIt e promover seus últimos best-sellers O Buraco da Beatriz, Calcinhas no Espaço e Do Tempo Em Que A Pipa do Vovô Subia.

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